segunda-feira, 9 de junho de 2008

III Encontro sobre Mulheres Encarceradas


Apesar de atuar na área há oito anos, aprendi coisas novas e tive acesso a fatos até então por mim desconhecidos.

Fiquei sabendo, por exemplo, que algumas mulheres no sistema prisional de São Paulo usam miolo de pão como absorvente higiênico. Jamais passou pela minha cabeça que isso seria possível. Pedaços de toalha de banho, lençol ou de roupa era imaginável, mas miolo de pão... para mim foi uma desagradável surpresa. Além de ser degradante, essas mulheres se privam de um dos poucos prazeres que lhes sobram após a prisão: comer.

O Grupo de Estudos e Trabalho Mulheres Encarceradas está construindo uma página na Internet: Mulheresencarceradas.wordpress.com e logo estará ativa.

São integrantes desse grupo: AJD (Associação Juízes para a Democracia), Pastoral Carcerária, IDDD (Instituto de Defesa do Direito de Defesa), ITTC (Instituto Terra, Trabalho e Cidadania), ASBRAD (Associação Brasileira de Defesa da Mulher, da Infância e Juventude) e IBBCRIM(Instituto Brasileiro de Ciências Criminais).

Tal grupo quer que os direitos garantidos aos homens encarcerados (que também não são muito respeitados) sejam estendidos efetivamente para as mulheres.

Apenas para ilustrar a preocupação do grupo: a taxa de aumento de encarceramento de mulheres de 2000 a 2006 foi de 135,37%, bem maior do que a de homens no mesmo período, que foi de 53,36% (dados do DEPEN - Departamento Penitenciário).

Além da superlotação causada pelo aumento vertiginoso da população carcerária feminina, outros assuntos foram discutidos como a situação da saúde da mulher presa.

A saúde como um todo foi discutida. Psicólogos(as), médicas(os), dentistas e outros profissionais da área compuseram a mesa e explanaram sobre o assunto.

Uma homenagem foi feita a Quitéria, uma mulher com problemas mentais que foi degolada pelas sua companheiras de cela, após uma rebelião ocorrida na penitenciária onde estava custodiada. Quando morreu, Quitéria já tinha direito a progressão de regime.

No decorrer da semana voltarei ao assunto.

4 comentários:

Anônimo disse...

Tânia, te coloquei no link "PARA REFLETIR"
Estou em dúvida, gostaria que seu trabalho tivesse mais visibilidade.
O LINK PARA RELACHAR reune nossos melhores amigos.

Não sei o que fazer.

Um beijo.
Eliana Alves

Rose disse...

Volto depois com mais tempo e comentarei, só passei para lhe desejar uma boa semana.
Bjão.
Seu espaço merece DESTAQUE.

Maria Fernanda disse...

Olá querida,
Nossa!!! Que situação nós chegamos!.? Nem sei o que pensar.
bjs

vitoria disse...

Já tive um filho preso,em Sevilha...este ano..foi o meu primeiro contacto com prisões e espero que último.
Se por fora as penitenciárias da europa demonstram higiene e civilidade,por dentro não devem ficar atrás das de aqui.
É uma questão que me dá cabo dos nervos mas que gostaria de poder dar algo de mim para...a de pessoas estarem presas num local,à mercê de outras,as condições em que isso se passa e a impunidade dos que as "guardam"...haverá realmente muito trabalho e muita ajuda para dar se se abrirem as portas ao "povo" que puder de alguma forma contribuir para que a situação dos presidiários femininos seja melhorada...uma vez que ainda há essa distinção...!!!!