domingo, 23 de novembro de 2014

Juiz consegue 100% de acordos usando técnica alemã antes de conciliações

 
Usando uma técnica alemã antes de sessões de conciliação, um juiz do interior da Bahia, Sami Storch, obteve acordos em 100% dos casos, evitando que eles se transformassem em processos judiciais. Segundo ele, o método, chamado Constelação Familiar e criado pelo teólogo, filósofo e psicólogo alemão Bert Hellinger, contribui fortemente para o fim do conflito, impactando tanto os atores diretos quanto os envolvidos indiretamente na causa, como filhos e família.
A sessão de Constelação Familiar começa com uma palestra do juiz sobre os vínculos familiares, as causas das crises nos relacionamentos e a melhor forma de lidar com esses conflitos. Em seguida, há um momento de meditação, para que cada um avalie seu sentimento. Depois disso, inicia-se o processo de Constelação propriamente dito. Durante a prática, os cidadãos começam a manifestar sentimentos ocultos, chegando muitas vezes às origens das crises e dificuldades enfrentadas.
Em 2012 e 2013, a técnica foi levada aos cidadãos envolvidos em ações judiciais na Vara de Família do município de Castro Alves, a 191 km de Salvador. A maior parte dos conflitos dizia respeito a guarda de filhos, alimentos e divórcio.
Foram seis reuniões, com três casos “constelados” por dia. Das 90 audiências dos processos nos quais pelo menos uma das partes participou da vivência de constelações, o índice de conciliações foi de 91%; nos demais, foi de 73%. Nos processos em que ambas as partes participaram da vivência de constelações, o índice de acordos foi de 100%.
Este ano, o método vem sendo direcionado aos adolescentes envolvidos em atos infracionais, processos de adoção e autores de violência doméstica. Na Vara Criminal e de Infância e Juventude de Amargosa, a 140 km de Salvador, onde atualmente o juiz Sami Storch dá expediente, o índice de reincidência desses jovens ainda não foi mensurado, mas o magistrado acredita que, se fosse medido, esse número seria menor.
“Um jovem atormentado por questões familiares pode tornar-se violento e agredir outras pessoas. Não adianta simplesmente encarcerar esse indivíduo problemático, pois, se ele tiver filhos que, com as mesmas raízes familiares, apresentem os mesmos transtornos, o problema social persistirá e um processo judicial dificilmente resolve essa realidade complexa. Pode até trazer algum alívio momentâneo, mas o problema ainda está lá”, afirma.
Durante a Semana Nacional da Conciliação deste ano, que ocorrerá entre os dias 24 e 28 de novembro em todo o país, já estão agendadas 29 audiências cujas partes participaram da vivência de Constelação Familiar. No evento, os tribunais selecionam os processos que têm possibilidade de acordo e intimam as partes envolvidas a tentar solucionar o conflito de forma negociada. A medida faz parte da meta de redução do grande estoque de processos na Justiça brasileira — atualmente em 95 milhões, segundo o relatório Justiça em Números 2014. 
 
Com informações da Assessoria de Imprensa do CNJ.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Tricô feito por presos de Juiz de Fora chega à São Paulo Fashion Week


Peças em tricô e crochê fazem parte do desfile da coleção de inverno 2015

Produção feita pelos presos já é exportada para 11 países.

Fonte: G1, Beatriz Inhudes 

Oito detentos da Penitenciária Professor Ariosvaldo Campos Pires, em Juiz de Fora, produziram 20 peças em tricô e crochê para a coleção de inverno 2015 da grife Iódice, que será apresentada nesta quarta-feira (5), durante a São Paulo Fashion Week - principal evento de moda do país, que segue até sexta-feira (7), na capital paulista. Os presos integram o projeto Flor de Lotus, que atualmente trabalha com a reinserção social de 18 homens.
Presos projeto moda Juiz de Fora (Foto: Seds/Divulgação)

O projeto é uma parceria que existe há cinco anos entre o Governo de Minas, através da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), e a marca Doisélles, da estilista mineira Raquell Guimarães. Mais de 100 detentos já passaram pelo Flor de Lotus, e a produção já é exportada para 11 países, além de estar presente em 70 lojas multimarcas em todo o Brasil.
De acordo com a diretora-geral da penitenciária, Ândrea Andries, os presos trabalham dentro de um ateliê montado na unidade prisional e são divididos em duas turmas que confeccionam peças em tricô, crochê, além de macramê, utilizando fios feitos de garrafas pet. Para participar do Flor de Lotus, eles devem estar estudando, ter bom comportamento e ainda passar por um teste de habilidade. "Os presos estudam na parte da manhã e trabalham de tarde. Mas a condição principal é estar estudando. São seis horas diárias de trabalho e duas horas e meia de estudo. Isso de segunda a sexta. Com certeza a vide destes homens mudou e agora têm prazer em estudar, estão mais atentos e sensíveis, pois o trabalho com o tricô traz sensibilidade. Eu não esperava que estes homens pudessem fazer tricô e crochê. O comportamento deles mudou e hoje é exemplar. Agora, acredito que o ser humano pode superar todas as coisas. O que precisa é oportunidade", disse a diretora.
Roupas integrarão desfile da coleção de inverno (Foto: Marcilene Neves/Aquivo pessoal) 
 
Roupas integrarão desfile da coleção de inverno
(Foto: Marcilene Neves/Aquivo pessoal)
 
Ândrea também contou que outros 40 detentos da Penitenciária Público-Privada de Belo Horizonte começaram a ser treinados para produzir peças para a Doisélles. "Eles são observados durante 60 dias. Como disse, temos que avaliar o comportamento. Também preferimos presos com penas maiores, acima de 20 anos, para que possam se dedicar a um trabalho mais duradouro. Depois da avaliação dos perfis levamos dois detentos de Juiz de Fora para treinar os demais na penitenciária de lá. O trabalho em Belo Horizonte deve começar já na segunda quinzena de dezembro", revelou a diretora da Ariosvaldo Campos Pires, ressaltando que há uma fila enorme de interessados.
Pelo trabalho os presos recebem um salário mínimo, que é divido em três partes: uma vai para a família do detento, outra para o Estado (para custear despesas do próprio preso) e a parte final vai para uma espécie de fundo que o detento retira ao deixar a prisão. 
Luiz Paulo Pacheco da Silva, de 35 anos, participa do projeto Flor de Lotus desde a implantação na unidade prisional de Juiz de Fora. Condenado a 30 anos por assalto à mão armada, Pacheco viu a vida mudar fio a fio. Ele conversou com o G1 por telefone com autorização da Seds e disse que está muito contente. "Eu estou muito feliz com o meu trabalho. Aprendi uma profissão e o que eu faço é reconhecido e valorizado no Brasil e no exterior. Sinto que agora sou uma pessoa respeitada. Quando sair daqui vou fazer cursos para aprimorar meu conhecimento", contou o detento, que tornou-se monitor dos demais participantes do projeto.
É Pacheco quem ensina tudo aos novatos. "Tudo que eu aprendo passo adiante. A vida ficou bem melhor. A relação com a minha mãe ficou melhor depois que aprendi essa profissão. Quando eu sair daqui vou fazer um vestido para ela", declarou o detento.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

MANIFESTO POR MINHA VIDA, POR VOCÊ! QUERO SEGURANÇA.





É incrível como algumas pessoas tem o dom de superar sua dor com resignação e ainda transformar sua tristeza em energia positiva!

Conheci Diego Souza, viúvo de Ana Cláudia Alves da Silva, uma contadora de 27 anos, grávida, morta dentro de um mercado, após reação de um agente da lei a uma tentativa de assalto segundo investigações da polícia civil.

Esse rapaz é um dos organizadores do ato público “Chega de Violência” que acontece nesta quarta feira, dia 12, na Praça da Todimo, às 17 horas. No seu olhar paira um misto de desapontamento e esperança e do seu íntimo fluem sentimentos de indignação e amor, sim amor! Porque só uma pessoa com muito amor no coração é capaz de pensar, num momento de intenso sofrimento próprio, em outras que ainda podem vir a ser vítimas de violência dessa natureza.

Amigos, conhecidos e empresários compadecidos pela sua aflição resolveram se unir em torno de uma causa: somar forças para melhorar a segurança pública da Cidade Industrial. Esse grupo, além de pagar os impostos de praxe, está disposto a colocar a mão no bolso para, por exemplo, arrumar as motos da Polícia Militar que estão em desuso por defeito mecânico. Por óbvio, irão cobrar medidas eficazes da Câmara e da Prefeitura, em áreas que são da competência destes entes.

Nos primeiros dez dias do mês de Novembro, foram 13 assassinatos no município, e oito na capital. Contabiliza-se, portanto, mais de um homicídio por dia em Várzea Grande. E as previsões para o próximo ano não são boas, pois, em 2014 não foi aberto concurso público para a Polícia Militar. O resultado do concurso aberto em Novembro de 2013, foi divulgado e homologado no final do mês de agosto deste ano para preencher 1200 vagas, o que só supre um déficit de profissionais que estão se aposentando ou se demitindo nos últimos quatro anos. Como os policiais precisam passar por um curso de formação, não se tem conhecimento de quando tomarão posse.

Com a troca do comandante regional e militância dos presidentes municipais dos Conselhos de Segurança verifica-se uma melhora sensível na presença da Polícia nas ruas: blitz, viaturas estacionadas em lugares estratégicos, reuniões com moradores de bairros mais atingidos pelo índice de violência e até o retorno na Força Tática, que havia saído de Várzea Grande temporariamente para atender a segurança em Cuiabá durante os jogos da Copa. Mas a população ainda não se sente segurança, e esta, precisa fazer sua parte: denunciar, comparecer em audiência para testemunhar crimes de que tenha conhecimento e cumprir com suas obrigações de cidadão.

Segurança Pública não se limita à polícia ostensiva, mas principalmente a uma boa gestão do município: iluminação pública, pavimentação e conservação de ruas (os buracos favorecem os assaltos), limpeza dos terrenos públicos e privados (implantação efetiva do IPTU progressivo fazendo cumprir a lei) e é claro: regularização de doações de terrenos para a construção de companhias de polícia e outros serviços que fortaleçam a rede de segurança pública.

Os integrantes do movimento não pretendem promover um único ato, mas tornarem fiscais daqueles que recebem dinheiro público para representar a população. Vamos Agir Várzea Grande!!!

Tânia Regina de Matos, Defensora Pública do Estado e atua em Várzea Grande








terça-feira, 11 de novembro de 2014

9.º Bookcrossing Blogueiro

LUZ  DE LUMA está novamente promovendo esta gostosa brincadeira entre os blogueiros e leitores que começa no mundo virtual e termina no mundo real.

Estou sem notebook desde o dia 11 do mês passado e só agora pude falar a respeito. Nem deu tempo de divulgar como sempre faço.

Para participar basta ter um livro para libertar.

Escreva um bilhete para quem o encontrar dizendo que o livro não está perdido e convide a pessoa a ler e depois libertá-lo!

Escolha um lugar público e protegido (livre da chuva por exemplo) para deixá-lo.

Você pode fazer um post no seu blog ou na sua página nas redes sociais relatando a resenha do livro.

Todos os anos eu liberto livros, mas só tive coragem de fazê-lo em lugar público uma única vez rsrs.... os deixei no aeroporto e foi durante o 5.º Bookcrossing Blogueiro.

Este ano libertei "Jornada dos Anjos" numa comunidade Terapêutica, chamada Caminhar Diferente:


Romance psicografado pela médium Sandra Carvalho, relata o reencontro de duas almas em Nova York, descrevendo entre outros fatos: os tsunamis na Indonésia e a queda das Torres Gêmeas. Ensina que não viemos a Terra a passeio. Programamos a nossa vinda a este Mundo de Provas e Expiações, alertando-nos do quão é urgente a nossa transformação moral para reencarnarmos neste planeta que está em transição para um Mundo de Regeneração. Leitura extremamente gostosa e edificante!!!

sábado, 11 de outubro de 2014

CARTA DE DESPEDIDA DE UM PROMOTOR AO SE APOSENTAR

Li essa carta e confesso que foi o primeiro Promotor de Justiça que me fez chorar de emoção!!! 


Carta de despedida de Roberto Tardelli, depois de 31 anos no Ministério Público de São Paulo. Tardelli foi o responsável pela acusação no caso de Suzane von Richthofen. Com sua aposentadoria — publicada no Diário Oficial de sexta-feira (19/9) —,  ele voltará a advogar.

Estou indo, peguei meu boné.
Quero dizer a cada um que foram os melhores trinta anos de minha vida esses que passei no MP.
Ter sido promotor de justiça foi um grande barato. Descobri e continuo descobrindo que podemos melhorar a vida das pessoas, que somos protagonistas e seremos protagonistas da construção republicana e democrática do Brasil. Não somos apenas indispensáveis, somos parte do DNA de uma nação que ainda se percebe e ainda se conhece.
Ao contrário do que gostaria de dizer, se pudesse, não faria tudo da mesma forma que fiz. Teria a mão menos pesada quando a tive pesada (faz tempo isso), soltaria mais a alma e a voz e prenderia menos pessoas. Seria menos formal nas solenidades protocolares. Ouviria mais axé, comeria mais carne ainda do que já tenho comido e beberia mais vinho e menos cerveja. Iria mais ao cinema e pouco me lixaria com prazos de réus de bobagens que sequer justificariam nossos processos.
Dirigiria mais cuidadosamente meu carro e, quando fosse aumentar a música, eu o fizesse com maior determinação, para espalhar mais João Gilberto pela cidade. Não precisaria ser autoridade o tempo todo e faria questão de me sentar na arquibancada. Nem por decreto, por nada nesse mundo subiria nos malditos elevadores privativos. Jamais.
Na audiência, chamaria a todos pelo nome, inclusive e principalmente o réu e a vítima. Chamar as pessoas pelo nome lhes dá a humanidade que essas expressões consagradas retiram: réu e vítima, sem nome ou rosto e procuraria deles me lembrar, pois que sempre existem coincidências: passeando no parque, encontro o réu e seu filhinho. Ele, um pai exemplar e amava mesmo o filho, deficiente mental profundo; num dia de fúria, arrancou a orelha de um balconista.
Pediria mais absolvições (no fim da reta, eu pedia; deveria ter feito mais isso desde o início), sorriria mais, escreveria de forma menos catastrófica e atenderia a todos. Serviria café à tia do café.
Deveríamos usar menos ternos, porque nada há de terno em nosso terno preto, vetusto, de risca de giz. Respeitaria menos quem exigisse ser respeitado pelo cargo, função, idade ou possibilidade de nos prejudicar. Ignoraria corregedores e procuradores, fossem de justiça, fossem os gerais, fossem aqueles que usassem o brega e horroroso anel de grau, tantos destinos a um rubi e ele foi parar no dedo de um bocó. Não respeitaria o silêncio grave dos corredores forenses. Talvez distribuísse apitos.
Escreveria mais coisas da vida e menos coisas da lei nos processos ou inquéritos. Citaria menos autores, principalmente aqueles que todos citam, os consensuais, quase sempre burocratas e que conseguem acertar o fácil. Iria atrás daqueles que prezassem a imprecisão, os que cultuassem a dúvida e nunca, nunca, permitiria que certezas se instalassem em minha mesa de trabalho.
Jogaria fora, poria no lixo, os carimbos. Diria apenas, ok e seguiria o filme. Temos carimbos demais, carimbamos demais.
Nunca os suportei e talvez os suportasse ainda menos, aqueles que dizem que vivemos uma Guerra Contra O Crime ou aqueles super-heróis, cuja missão a eles passada na Sala de Justiça os fizessem proteger a sociedade ordeira. Não existe guerra alguma e estamos prendendo irmãos iguais e sociedade alguma é ordeira, principalmente a que espanca crianças, mata homossexuais, mulheres e tem sua polícia a executar pretos e pobres na periferia.
Afundaria em um lago distante quem dissesse que a lei confere direitos demais aos criminosos. Pregaria na testa de quem dissesse Humanos Direitos um adesivo: estúpido. Nenhum respeito teria por quem defendesse a pena de morte e sugeriria que quem a defendesse começasse a praticá-la como um direito pessoal em si mesmo e nos poupasse.
Abraçaria mais as mulheres do busão e atenderia quem tivesse os filhos presos com mais atenção, toda a atenção e não mediria esforços para que não fossem humilhados nas visitas. Defenderia o meio ambiente e o consumidor.
Não leria a Veja.
Teria medo de superpoderes e os guardaria onde estivessem protegidos de mim.
Ter sido promotor foi a possibilidade mágica de “estar no fundo de cada vontade encoberta”, que aproveitei o quanto pude, mudando sempre, aprendendo sempre, diariamente. Vi até gêmeos de pais diferentes, vi assassinos e vi a solidão que traziam nos olhos. Vi pessoas que cruzaram os oceanos todos para adotar uma criança a quem pudessem amar incondicionalmente.
Vi meninos de rua morrerem de AIDS. Um, muito perto de mim, mudou minha forma de ver o mundo e tudo o mais que ocorresse à minha volta.
Um processo muito peculiar e um caso único que agitou o país me jogou para fora do que até então houvera vivido e me fez em contato com a população, de forma tão viva que eu deixei de ser apenas um promotor de justiça e me tornei um falador e contador de história e aprumador de realidades, algumas vividas outras nem tanto.
Ter me tornado conhecido das pessoas será uma das coisas que jamais pagarei ao Ministério Público e a esse ofício de Promotor de Justiça. Andei pelo Brasil e descobri um país que nunca imaginei existir, seja por seus contrastes, seja por sua pujança, pelos seus defeitos e pelos seus encantos, mais encantos que defeitos. Pude externar minha opinião, que é apenas minha, mas que foi ouvida mais do que eu supunha. Falei e falei no sertão, nas caatingas e nos gerais. Em Sampa e no meu estado de São Paulo, penso que fui a quase todas as faculdades. As que ainda não fui, que me aguardem.
Fui paraninfo de jovens que me deram essa enorme honra. Tenho isso no coração.
Dentro do Ministério Público, vi meus filhos, Fernanda e Brenno, crescerem; conheci a Carla, a doce Carla, somente porque era promotor de justiça. Dificilmente eu a teria visto ou seria por ela notado se fosse astronauta ou sorveteiro, até isso o MP me proporcionou.
Fiz bons amigos. Tenho bons amigos. No Ministério Público e nas pontes que o MP constrói, na advocacia e na magistratura. Sempre que preciso de um vinho, encontro comparsaria à altura. Há trinta anos que não bebo sozinho e, vamos lá, admitam, isso é um feito.
Ficamos chatos, chatinhos. Ficamos aqueles pentelhinhos sociais. Sou muito cobrado por isso, mas fazer o quê?, são inflexões históricas, inevitáveis, diante de nossa forma burguesinha de aquisição de talentos. Sérios demais. Gente jovem que está deixando de sorrir para franzir o cenho e não cumprimentar porteiros: o vento vira, creiam, como vira… Estamos condenatórios e sei que haverá quem, chegando até aqui, ao ler esse texto há de pensar que eu surtei e que não era mesmo de confiança. Não nos damos conta que essa fúria condenatória nos custará caro em breve, brevíssimo. Uma nação não se constrói com condenações em série, pelo contrário.
Mas, isso é assunto para outro dia. Agora, só quero dizer a todos que valeu. Gostaria de beijar a todos, abraçar a todos. Quem não quiser, não precisa me abraçar porque eu abraço sozinho, pronto. Abraçar é o que importa e todos os amigos e amigas foram fundamentais nessa caminhada, que adorei fazer, curti ao máximo fazer e sempre fiz, dando o máximo de mim. Minhas mãos e minhas pernas, minha esperança. Meu amor pela vida.
Essa uma que me empurra para novas aventuras.
Beijos

domingo, 5 de outubro de 2014

Sexta Turma reconhece insignificância em furto praticado por reincidente




A intervenção do direito penal deve ficar reservada para os casos realmente necessários. Para o reconhecimento da insignificância da ação, segundo a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), não se pode levar em conta apenas a expressão econômica da lesão, mas devem ser consideradas todas as particularidades do caso, como o grau de reprovabilidade do comportamento do agente, o valor do objeto, a restituição do bem, a repercussão econômica para a vítima, a premeditação, a ausência de violência, o tempo do agente na prisão pela conduta e outras.
"Nem a reincidência nem a reiteração criminosa, tampouco a habitualidade delitiva, são suficientes, por si sós e isoladamente, para afastar a aplicação do denominado princípio da insignificância", afirmou o ministro Sebastião Reis Júnior, relator do habeas corpus impetrado por um homem que tentou furtar oito barras de chocolate.
O caso aconteceu em uma loja do Supermercado Extra em São Paulo. O homem tentou furtar as barras de chocolate, mas foi pego em flagrante e a mercadoria, avaliada em R$ 28, totalmente recuperada.
A Defensoria Pública tentou o trancamento da ação penal por atipicidade da conduta, em razão da aplicação do princípio da insignificância, mas o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) entendeu que as barras de chocolate ostentam valor econômico para o supermercado e que a aplicação de tal princípio acaba desprotegendo a coletividade com a estimulação à prática reiterada de pequenos delitos.
O réu já havia sido condenado antes, em outro caso. O TJSP manteve a condenação por tentativa de furto e afastou a reincidência em razão do transcurso de mais de cinco anos entre a data da extinção da pena e a infração posterior, reduzindo a pena.
Juízo de ponderação
No STJ, o ministro Sebastião Reis Júnior entendeu pela concessão do habeas corpus. Segundo ele, para o reconhecimento da insignificância devem ser levadas em consideração todas as peculiaridades do caso concreto.
O ministro citou precedente do Supremo Tribunal Federal (RHC 113.773) no qual também ficou consolidado o entendimento da necessidade do "juízo de ponderação entre o dano causado pelo agente e a pena que lhe será imposta como consequência da intervenção penal do estado".
"Não obstante a certidão de antecedentes criminais indique uma condenação transitada em julgado em crime de mesma natureza, não creio que a conduta do agente (condenado por tentativa de furto) traduza a lesividade efetiva e concreta ao bem jurídico tutelado. Também não acredito que a incidência do mencionado princípio fomente a atividade criminosa. São outros e mais complexos fatores que, na verdade, têm instigado a prática delitiva na sociedade moderna", disse o relator.
A Turma, por unanimidade, votou pela concessão da ordem para extinguir a ação penal.
HC 299185
Fonte: Superior Tribunal de Justiça

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Comunidade Terapêutica "Valorizando a Vida"

Estive hoje pela manhã visitando uma CT particular que fica na estrada de Santo Antônio a convite da minha amiga e proprietária do local. 

Tive uma boa impressão, primeiro porque é aberta, ou seja, se o dependente não quiser permanecer ali, ele tem todo o direito e facilidade de ir embora. Passa ônibus bem pertinho.

Conheci Dirce Gomes da Guia Taques quando contratei os serviços de uma empresa de cuidadores para atender minha mãe, portadora de mal de Alzheimer. A empatia entre nós foi instantânea. Ela foi enviada pela empresa para prestar serviços de enfermagem durante alguns finais de semana. 

Já naquela ocasião me confidenciou que gostaria muito de montar uma clínica para oferecer tratamento a adictos. Passado alguns meses após o falecimento de minha mãe, recebi um telefonema dela dizendo que havia começado seu projeto e que estava organizando a festa de natal para os seus hóspedes.

Atuando durante oito anos junto a Vara de Violência Doméstica e Familiar, percebi que o maior problema das vítimas que por ali passavam era de dependência química de alguém da família.

E na Execução Penal não era diferente. Cansei de ouvir a mesma frase inúmeras vezes: _ "o problema do meu filho é a droga, se ele não parar de usar ele vai voltar para cadeia."

Estudando sobre o assunto e com a ideia fixa de ajudar a reativar uma comunidade terapêutica na cidade onde moro resolvi ligar para Dirce e fui lá conferir.

Conversei com Dário, terapeuta e funcionário da comunidade, que me relatou sobre o programa de recuperação aplicado no estabelecimento. Ele havia acabado de fazer um dos muitos cursos oferecidos pela FEBRACT (Federação Brasileira de Comunidades Terapêuticas).

Para o tratamento funcionar é necessário que a família frequente uma sala de 12 passos e a mais indicada é o Amor Exigente. Todos do núcleo familiar precisam ter consciência de que os conflitos não se acabam com a "internação" do dependente e que muitas vezes não é ele ou ela (adicto ou adicta) o problema.

Maiores informações pelo celular: (65) 9993-4828.

 Recepção

 Sala de reunião

 Refeitório e quadro de tarefas

Lazer: mesa de ping pong

 Lazer: campo de futebol

 Cozinha

 Fogão à lenha

 Laborterapia: horta

 Laborterapia: pães feito pelos acolhidos