sexta-feira, 26 de junho de 2015

BOM JARDIM É MAIS QUE BONITO, É NOBRES!

Estivemos em Bom Jardim, distrito de Nobres neste final de semana. 
Eu e minha família somos amantes da natureza, gostamos de lugares simples mas que nos forneçam beleza aos olhos e paz interior.
Bom Jardim é um desses achados. Indo pela Rodovia Emanuel Pinheiro, pega a estrada do Lago do Manso, que é toda asfaltada até o destino final. Passa pela entrada que dá acesso ao Manso (estrada de chão) e segue em frente. Se quilometrar dá exatos 140 quilômetros de Cuiabá até o distrito. 
Como a estrada é boa, você vai levar umas duas horas, sem exagerar no pé. 
Vá com o seu ou alugue um carro. Não há como fazer os passeios se você não estiver motorizado.

Fiquei hospedada na Pousada BURITI. É dotada de boa infraestrutura. Nada de luxo, mas tem estacionamento, sinal de internet razoável, duas piscininhas e um parquinho para crianças se distraírem, lanchonete e pizzaria anexa à pousada. 
O quarto é antecedido de uma sala com TV e sofá cama.  O banheiro tem um bom chuveiro. A cama é boa e o espaço do quarto é razoável. Tem uma sacada, mas quem é fumante deve levar seu cinzeiro. 
Almoçamos no Estivado, um lugar agradabilíssimo, mas simples, muito simples! Comida caseira, sistema sirva-se à vontade, com direito a sobremesa (doce caseiro) por trinta reais, mesas coletivas e você mesmo leva sua bebida para a local onde irá almoçar.
Não há muitas opções de restaurantes. Além desse, há um outro chamado Lagoa Azul, do mesmo proprietário da Pousada homônima.


Se você é do tipo que acha que tudo é espelunca, não vá a Bom Jardim, procure outro lugar para ir!!! 

Fizemos o Bóia Cross no DUTO DO QUEBÓ, que passa por dentro de uma gruta de 278 metros de comprimento. Passeio custa 55,00 por pessoa. Após o término fomos na Ponte de Pedra que é pertinho ,dá para ir à pé e é 0800.


Após a aventura no Duto, retornamos ao final da tarde para marcar presença no point obrigatório que é no Lago das Araras, um passeio contemplativo desses pássaros que voam aos bandos pelo local. Custo 15,00 Reais por pessoa.


E no dia seguinte pela manhã fomos a Cachoeira da Arara Azul, que fica numa fazenda administrada pelo SESC, cujas instalações estão ainda em fase de construção. Para chegar nesse paraíso você sobe um monte de degraus e logo em seguida desce mais um monte. Chega quase morto(a) lá embaixo. Respira e faz um mergulho em água cristalina junto com os peixes da região. Há uma tirolesa pronta para funcionar, mas falta gente para operar. A ideia do Sesc é proporcionar a opção de voltar da cachoeira pela tirolesa. O passeio custa 50,00 Reais por pessoa.


Fica a dica para as férias de julho, lembrando que a água é gelada!

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Concedida Alteração de Registro Civil a transexual sem cirurgia de redesignação sexual


Dia 06 de Junho é o Dia Nacional do Orgulho gay. Segue um post interessante sobre o assunto:

A 7ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do RS foi favorável a recurso de transexual que solicitou a alteração no gênero inscrito em registro civil, de masculino para feminino, sem a necessidade de realização de cirurgia de redesignação sexual - procedimento fora dos planos da apelante. A decisão modificou nesse ponto sentença de 1º Grau, da Comarca de Porto Alegre, que havia concedido à Valéria medida de alteração do prenome, registrado originalmente como Rodrigo.
A decisão não foi consensual entre os integrantes da câmara julgadora, tendo sido vencida a relatora, Desembargadora Liselena Schifino Robles Ribeiro, por considerar que a alteração do sexo no registro de nascimento exige a cirurgia de redesignação sexual. Prevaleceram os votos da Desembargadora Sandra Brisolara Medeiros (revisora) e do Desembargador Jorge Luís Dall'Agnol (presidente).
Decisão
Segundo a Desembargadora Sandra Brisolara Medeiros, afastar a necessidade de cirurgia para que haja a troca do registro é reconhecer a preponderância dos aspectos psicossociais (gênero) sobre os físico-biológicos (sexo). Valéria, explica a magistrada, vê-se como uma mulher, comporta-se com uma mulher, identifica-se socialmente como uma mulher, ou seja, seu gênero é feminino, sobrepondo-se ao seu sexo biológico, à sua genitália e à sua configuração genética.
A autora da ação, que possui um companheiro, é transexual desde os 18 anos, quando passou a se vestir e comportar como mulher, além de se submeter a tratamentos hormonais para adquirir traços femininos.
A julgadora entende que o procedimento cirúrgico (vaginoplastia) - desejado ou não ¿ a rigor é uma mutilação, com riscos que lhe parecem indesejáveis e desnecessários, tanto pelo aspecto médico (altamente invasiva), como pelo resultado prático: não asseguraria à paciente nem a condição de mulher (gestar, dar à luz), nem prazer sexual com o órgão reconfigurado.
Acrescenta que a mudança do registro evitará dissabores futuros pela falta de correspondência entre o que está no papel e a identidade da apelante, inclusive incidir em penas do crime de falsidade ideológica.
O Desembargador, Jorge Luís Dall'Agnol, que acompanhou a tese vencedora, lembrou que os casos de alteração de sexo tem recebido a atenção de tribunais e da ciência médica O suficiente para nos darmos conta da delicadeza e gravidade do tema em questão. A reclamar dos operadores do processo uma oxigenação da dinâmica da de relação com os conceitos estandartes que compõem o patrimônio cultural e científico da sociedade pós-moderna, a fim de tornar menos tormentosa a vida em sociedade.A sessão foi realizada em 29/4.



Fonte: Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul


sexta-feira, 12 de junho de 2015

Centro de Ressocialização de MT é a primeira do país a realizar casamento gay entre presos


O amor não é amor, se quando encontra obstáculos se altera, ou se vacila no mínimo temor”. Trecho do poema de Willian Sheakspeare encerrou a cerimônia dupla de união estável realizada entre os casais Duda e Emerson Marques e de Rael da Silva e Mauro Lúcio e fez de Mato Grosso o palco do primeiro casamento entre homens em uma cadeia no Brasil, realizado na manhã de hoje, 3 de junho. A celebração foi no Centro de Ressocialização de Cuiabá, uma das mais antigas unidades prisionais do Estado. 

“No país, há o registro de três casos, mas de mulheres.E nós estamos pautados no respeito e dignidade da pessoa, independente do sexo com o reconhecimento da união estável. Nós estamos em um estado extremamente preconceituoso”, avalia o juiz da Vara de Execuções Penais, Geraldo Fidélis.

Críticas e preconceito integram a rotina do casais. “O espaço em que estamos é extremamente preconceituoso e sabemos que não seria diferente, mas isso não muda o sentimento”, conta Emerson, que foi casado com uma garota e possui um filho. Condenado por crime de homicídio e sentenciando a uma pena de 25 anos, a estimativa é que ele deixe o espaço prisional somete em 2020. “Até lá a vida vai ser construída aqui”. Há cerca de um ano e oito meses os dois passaram a namorar e nos últimos três meses passaram a dedicar-se ao momento.

Com ajuda da direção da unidade e da assessoria jurídica, a ideia da união estável tornou-se uma realidade.

Vestida de noiva, maquiada e com o nervosismo inerente ao momento especial, Duda Marques afirmou que o momento era de alegria. Apesar da situação peculiar. “O nervosismo é grande gente”, brincou. Durante a celebração, ela chegou a derrubar a aliança. A assinatura de união estável foi realizada no refeitório da unidade prisional e contou com música e padrinhos. Os familiares dos dois casais não participaram da celebração.

Para Clóvis Arantes, da Ong Livremente, a discussão da temática, a garantia do direito é de fundamental importância. Ele assistiu à cerimônia e reafirmou a dignidade a pessoa humana, independente da opção sexual que escolha.

O Centro de Ressocialização de Cuiabá é a única, de total de 65 unidades prisionais do Estado, que possui uma ala destinada exclusivamente para abrigar detentos homossexuais. Hoje, 11 reeducandos encontram-se no local, que também será a moradia dos casais. “Os casais terão a opção de permanecer na mesma cela ou não. A criação da ala serve, até mesmo, para resguardar a integridade física das pessoas”, explica o diretor do CRC, Winkler Telles.

Para o secretário de Justiça e Direitos Humanos de Mato Grosso, Márcio Frederico de Oliveira Dorilêo, o ato realizado na manhã de hoje, é o reconhecimento da identidade de cidadania. “O direito é inerente a todos. É uma garantia constitucional”, finalizou.

domingo, 7 de junho de 2015

Ex-detento cursa direito após 33 anos preso: 'Educação muda o homem

Ex-presidiário se formará em direito este ano (Foto: Reprodução/TV TEM)
(Foto: Reprodução/TV TEM)

João dos Santos Ferreira tem 68 anos, mas parte da sua vida – 33 anos – passou dentro de uma penitenciária. Mas a condenação a mais de 30 anos de prisão por furto, roubo e tráfico não foi motivo para ele desistir de estudar.

O ex-presidiário, que mora em São José do Rio Preto (SP), afirma que achou no lixo da cadeia um livro, e esse encontro mudou a sua vida. Ele se forma este ano no curso de direito.

João trocou as grades das penitenciárias pela faculdade. Aos 63 anos, passou no vestibular para direito e hoje está no último ano. “Quero trabalhar na Defensoria Pública e defender alguém como eu, porque o estado não quer ou precisa só punir, quer também recuperar o cidadão”, afirma João.

O ex-detento fez os ensinos fundamental e médio dentro da cadeia e depois prestou Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), conseguindo realizar o sonho de sentar em uma cadeira da universidade. “Quero ser útil para a comunidade. Gosto de fazer o bem para as pessoas mais incultas”, diz, agora, o estudante.
 
Costume adquirido na prisão, João deixa provas penduradas (Foto: Reprodução/TV TEM)

Apertado, mas vale a pena

Após sair da cadeia, João vive hoje com um salário mínimo e usa quase a metade para pagar a faculdade. Ele tem desconto de 50% no Fies, mas ainda assim não sobra dinheiro para comprar livros, por exemplo. “Passo apertado, mas vale a pena. É gostosa a dinâmica da aula, se eu ficar sem ir eu fico doente”, diz.

João continua a jornada em casa onde estuda por mais seis horas. Uma curiosidade do imóvel é que o ex-presidiário deixa tudo pendurado, um costume que tinha na cela da cadeia. Fora da prisão, ele manteve esse hábito, mas tudo o que tem no armário é motivo de orgulho.

Somente a educaçao muda um ser humano, com ignorância você não arruma nada"João dos Santos Ferreira, ex-detento e estudante de Direito.

O certificado de conclusão do ensino médio, que ele conseguiu mesmo preso e tem também pendurado no armário da cozinha o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que ele prestou, além das últimas provas da faculdade, todas com excelentes notas.

O livro é o maior símbolo de mudança para João. Foi por causa de um livro que achou no lixo que ele decidiu buscar outro caminho. Agora os livros tomam conta da casa. “Ao entrar em uma cela para cumprir 30 anos eu pensei que precisava levar o livro para ser meu companheiro. Somente a educaçao muda um ser humano e o mundo. Com ignorância você não arruma nada”, afirma.
 
João dos Santos usa os livros na biblioteca da faculdade (Foto: Reprodução/ TV TEM)