segunda-feira, 27 de junho de 2016

26 DE JUNHO - DIA INTERNACIONAL DE COMBATE ÀS DROGAS

Atuando por quatorze longos anos junto à execução penal, dos quais, nove simultaneamente na Vara de Violência Doméstica e familiar, posso dizer com relativa tranquilidade que as drogas potencializam a violência intrafamiliar.

Não é raro ver as vítimas durante as audiências para apurar um crime da Lei Maria da Penha implorarem ao juiz que arrumem uma clínica, a fim de internarem seus esposos, companheiros e filhos, argumentando que fora do uso essas pessoas são excelentes.

É sabido que, para um tratamento de desintoxicação ter resultado satisfatório, é preciso que o dependente deseje submeter-se a ele, do contrário será tempo e dinheiro jogado fora.

Conclui recentemente o curso de extensão Integração de Competências no Desempenho da Atividade Judiciária com Usuários e Dependentes de Drogas, promovido pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), e nele aprendi que o uso de drogas é um problema sistêmico, antropológico, fisiológico, psicológico, jurídico, político, cultural, dinâmico e sobretudo espiritual, portanto, não é simples de ser resolvido.

Independentemente de ser lícita ou não, a droga causa diversos males ao organismo (alguns irreversíveis), dependendo do modo que ela é utilizada, logo, reflete na questão social e na Saúde Pública (já combalida).

Diante disso, precisa ser enfrentada com programas e ações integradas e coordenadas entre as três esferas do governo. A responsabilidade é compartilhada.

A lei 11.343/06 provocou um grande aumento no número de presos por crimes relacionados ao tráfico de drogas: entre 2007 e 2012, o número de pessoas presas por tráfico de drogas aumentou 111% – de 65.494 para 138.198.

Nesses seis anos, o tráfico de drogas ultrapassou o crime de roubo qualificado como tipo penal mais comum nas prisões.

A população carcerária feminina aumentou de cerca de 5.800 presas por tráfico em 2006 para cerca de 14.900 em 2012. Hoje, a prisão por tráfico responde por 42% de toda a população carcerária feminina.

Entretanto, o Supremo Tribunal Federal, na sessão de quinta-feira (23), entendeu que o chamado tráfico privilegiado não deve ser considerado crime de natureza hedionda.

Assim, no tráfico privilegiado, as penas poderão ser reduzidas de um sexto a dois terços, desde que o agente seja primário, de bons antecedentes, não se dedique às atividades criminosas nem integre organização criminosa.

Émile Durkheim, sociólogo, psicólogo e filósofo francês afirmava que “a pena não tem a função de curar o crime, pois, este não é uma doença, é um fato social”. A pena é tão somente uma retribuição ao mal causado. E o mal é a ausência do bem.

Há várias comunidades terapêuticas que prestam auxílio a dependentes químicos de forma gratuita que querem se livrar das drogas precisando de ajuda e doações. Não deixemos o mal se espalhar!

TÂNIA REGINA DE MATOS é defensora pública em Várzea Grande.

terça-feira, 21 de junho de 2016

ATRIZ COM SÍNDROME DE DOWN GANHA PRÊMIO INTERNACIONAL DE TEATRO

Um exemplo de empoderamento da mulher é essa modelo, atriz e autora:   Tathi Piancastelli, 31 anos, que ficou entre as cinco finalistas na categoria melhor atriz no International Brazilian Press Award deste ano.

“Menina dos Meus Olhos”, peça escrita e protagonizada por ela, levou o prêmio de melhor espetáculo na mesma premiação.  Os prêmios foram entregues no dia 07 de maio durante cerimônia que também homenageou vários artistas brasileiros.

“Menina dos Meus Olhos” (Apple of My Eye, em inglês), produzida  pela Nettles Artists Collective, companhia de teatro americana, e dirigida por Debora Balardini, é o prirmeiro espetáculo profissional escrito e protagonizado por alguém com síndrome de Down. 

A peça traz a personagem Bella, uma jovem com a deficiência, que passa por situações de preconceito, discriminação e violência até encontrar o verdadeiro amor. O espetáculo multimídia conta com mais dez atores e foi apresentado em Nova York em 2013 e 2015 e no XXX Festival Internacional de Teatro Hispânico, em Miami, no ano passado.

Em 2016, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Organização das Nações Unidas (ONU) convidaram Tathi a se apresentar com sua peça em Nova York com o objetivo de ilustrar  a campanha internacional de combate à violência. A apresentação fez parte da Conferência do Dia Internacional da síndrome de Down (WDSD) e da 60º Session of the Commission on the Status of Women na ONU (CSW), que abordou a “Eliminação e Prevenção de Todas as Formas de Violência Contra Mulheres e Meninas” representantes do mundo todo.

Agora, “Menina dos Meus Olhos” acaba de receber aprovação na Lei Rouanet para uma turnê no Brasil e também foi convidada para fazer apresentações na Europa.

Talento de sobra

Nascida em São Paulo e residente nos EUA, Tathi é atriz, autodefensora e apresentadora de TV. Já atuou em peças de teatro brasileiras e em comerciais institucionais de televisão. Tathi também é conhecida por ser inspiração do cartunista Maurício de Sousa na criação da personagem Tati, com síndrome de Down, e atuou como modelo para a campanha da Inoar, companhia brasileira de cosméticos com sede no Brasil.
Com outro texto dramatúrgico a caminho, Tathi Piancastelli reflete sobre o trabalho atual e o recente reconhecimento.”Eu gosto cada vez mais da peça,” comenta.

Fonte:  movimentodown.org.br