segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

SAÚDE E CIDADANIA

Mais um artigo sobre internação compulsória:
A internação compulsória de adultos viciados em crack, estabelecida inicialmente na cidade do Rio de Janeiro e agora em São Paulo, precisa, como pressuposto inexorável, priorizar o tratamento e recuperação. Não se pode imaginar que seres humanos dependentes dessa droga sejam recolhidos a instituições do Estado apenas para que as ruas fiquem mais bonitas e a sociedade tenha a sensação de que o grave problema foi atenuado. É crucial a preocupação efetiva com essas pessoas, seu destino, condição física e emocional e reinserção familiar e social.
A recuperação dos flagelados pelo crack é muito lenta, complexa e de sucesso muito difícil. Os especialistas sempre alertam sobre o alto e fulminante poder viciante dessa substância, que subjuga a consciência e os neurônios com imensa velocidade e grau de toxidade. Mais barato do que a cocaína, leva apenas 15 segundos para chegar ao cérebro após a inalação por cachimbo e causa efeitos imediatos, como forte aceleração dos batimentos cardíacos, aumento da pressão arterial, dilatação das pupilas, suor intenso, tremor muscular, excitação acentuada e indiferença à dor e ao cansaço. Em 15 minutos, surge de novo a necessidade de inalar a fumaça de outra pedra. Nesse curto período, a abstinência já causa desgaste físico, prostração e depressão profunda. Por isso, ao tirar compulsoriamente os viciados das ruas é necessário ter estruturado todo um programa de saúde, psicologia, assistência social e jurídica, visando o seu tratamento e à preservação de seus direitos de cidadania.
Contudo, não se pode entender a medida como suficiente para solucionar o grave problema. É necessário tornar mais eficaz o combate ao tráfico, bem como a conscientização da sociedade sobre os malefícios do consumo de entorpecentes. Trata-se de um desafio para toda a sociedade e não apenas para o poder público.
É fundamental o papel dos pais, mães e responsáveis, das escolas e professores no esclarecimento de crianças e jovens e criação de uma nova cultura contrária às drogas
e muito transparente quanto aos danos que causam aos indivíduos.
Conscientização e prevenção constituem-se em providências obrigatórias para o combate do problema em longo prazo. A internação compulsória, fundamentada no art.9 ́ da Lei 10.261/01 e/ou no art. 1.777 do Código Civil, parece tornar-se uma alternativa inevitável para tratar e atender pacientes dependentes do crack potencialmente capazes de causar mal a si próprios ou a terceiros, considerando a dimensão epidemiológica que o problema vem ganhando no Brasil.
Não há mais como ignorar a situação e deixar essas pessoas abandonadas à própria sorte. O enfoque de seu recolhimento, porém, no conceito e na prática, não pode, nem de longe, ter conotação punitiva. Trata-se de uma questão de saúde pública e social que o Estado tem o dever de atender, respeitando os viciados como pacientes e cidadãos em situação de risco. DESEMBARGADOR CLÁUDIO DELL ’ORTO É O PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DOS MAGISTRADOS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (AMAERJ).

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

CUBA-LÁ, YOANI-AQUI

Estava à procura de notícias a respeito da tal blogueira Yoani Sánchez, de Cuba, então me deparei com um artigo intitulado “Que tal compreender Cuba em lugar de só atacá-la?”
Confesso que tive vontade de mudar para lá. Mas aí a dúvida me invadiu. Uma prima minha está estudando medicina no país de Fidel e logo no primeiro ano engordou 10 quilos porque só tinha acesso a massas, nada de carnes e nem saladas.
Bom, se não posso escolher o que eu vou comer e nem quando vou poder viajar, esse lugar não serve para mim.
Não tenho nada contra o regime comunista e nem favor, mas muitas pessoas que sempre criticaram a ditatura militar, a tortura e a falta de liberdade de imprensa agora resolveram detonar com a jornalista.
Para mim qualquer governo autoritário não é saudável para o povo e nem para os seus próprios líderes que se tornam tiranos. E não vejo possibilidade de tiranos se transformarem em homens menos consumistas, mais solidários, mais pacíficos. Penso que a liberdade deve prevalecer sempre. Um governo que se sustenta através do medo é fascista, como diz Vera Malaguti Batista, na obra Depois do Grande Encarceramento, “o medo corrói a alma e nos fascistiza”.
É certo que nenhum País deve ter o direito de ditar as regras econômicas e sociais para o resto do mundo, impondo políticas de exclusão, com restrições de acesso às suas fronteiras, inflexibilizando a emigração, aprisionando latinos, negros e pobres, todavia, apontar os cidadãos críticos do regime comunista que o vivenciam cotidianamente como mercenários e agentes da CIA é um pouco demais. 
Eric Hosbawm em sua obra Era dos Extremos, relata que a democracia só se salvou porque, para enfrentar o fascismo e os regimes autoritários, houve uma aliança temporária e bizarra entre capitalismo liberal e comunismo: basicamente a vitória sobre a Alemanha de Hitler foi, como só poderia ter sido, uma vitória do Exército Vermelho.
Ora, a história nos conta que em dado momento o Comunismo foi contra o autoritarismo e agora indagam que tipo de democracia Yoani Sánchez quer?
Será que não seria a hora de perguntar que tipo de autoritarismo nós não queremos?
Nas relações humanas o autoritarismo pode se manifestar até na vida familiar, onde existe a dominação de uma pessoa sobre outra através do poder financeiro, econômico ou pelo terror e coação.
Segundo Arendt, o autoritarismo dentro da política tenta forçar o povo à apatia, à obediência passiva e à despolitização.
Eu não quero o autoritarismo da “fidelidade partidária” e da “governabilidade”, que elegeu o senador Renan Calheiros como presidente do Senado, o autoritarismo de não aceitar uma decisão final da mais alta corte de justiça da nação, o autoritarismo de querer controlar a imprensa, o autoritarismo de ignorar a opinião de milhares de internautas, o autoritarismo de vetar uma lei que assegura a autonomia da Defensoria Pública e tanto outros tipos de autoritarismo que somos obrigados a engolir diariamente.
  Aliás, fico procurando um motivo para o veto do projeto de lei 114/11 que favoreceria milhões de pessoas que procuram pelos serviços de acesso a justiça, mas o saudoso Joãozinho Trinta já respondeu essa pergunta anos atrás: “O povo gosta de luxo, quem gosta de miséria é intelectual”.

Tânia Regina de Matos
Defensora Pública em Várzea Grande

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

CURSO PARA ENFRENTAMENTO A VIOLÊNCIA SEXUAL CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES


Encontro presencial do Curso Teoria e Prática para o Enfrentamento a Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes , que acontecerá no próximo dia 21 de fevereiro de 2013, no horário de 13 às 18 horas, Auditório da 2ª Superintendência da PRF – Av. Joaquim Murtinho, 1400 – Bairro: Porto, em Cuiabá. 

Esse evento complementa o processo de formação, realizado na modalidade a distancia, no âmbito do Projeto Disseminação da Metodologia do PAIR, uma iniciativa do Instituto Aliança, com apoio da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), do Comitê Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).   
A realização do encontro presencial do PAIR em Cuiabá contou com as parcerias da Policia Rodoviária Federal, Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos,  Secretaria Municipal de Assistência Social e Desenvolvimento Humano de Cuiabá, Secretaria Municipal de Assistência Social de Várzea Grande e Comitê Estadual de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas.
Na ocasião, será realizado um painel sobre o tema PROMOÇÃO E PROTEÇÃO A CRIANÇAS E ADOLESCENTES NO CONTEXTO DOS MEGAEVENTOS ESPORTIVOS, que contará com a participação de professores e especialistas do Curso EAD/PAIR. A programação prevê, ainda, a participação de gestores especialmente convidados para participarem de um debate orientado a partir da seguinte questão:

Que ações estão sendo realizadas e/ou previstas para o enfrentamento de possíveis violações de direitos de crianças e adolescentes no contexto dos megaeventos esportivos, que acontecerão nos municípios de Cuiabá e Várzea Grande?
           
O encontro pretende contribuir com o processo de mobilização e sensibilização de agentes públicos e atores sociais para o enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes nos megaeventos esportivos, como também fortalecer os mecanismos de prevenção e a capacidade das instituições visando assegurar a proteção dos direitos de crianças e adolescentes nesses contextos.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

COMO DETECTAR O USO ABUSIVO DE SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS?



A Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas - SENAD do Ministério da Justiça (MJ), oferece gratuitamente por meio da parceria com a Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e executado na modalidade de Educação a Distância (EaD) pelas equipes da Unidade de Dependência de Drogas (UDED) do Departamento de Psicobiologia da UNIFESP e do Departamento de Informática em Saúde (DIS).

O curso "Sistema para detecção gratuito do Uso abusivo e dependência de substâncias Psicoativas. Encaminhamento, intervenção breve, Reinserção social e Acompanhamento" foi cuidadosamente elaborado por profissionais com grande experiência nas áreas de política sobre drogas, prevenção do uso e tratamento da dependência de crack, álcool e outras drogas.

Esta capacitação oferecerá dez mil vagas para profissionais das áreas de saúde e assistência social e é parte integrante do programa "Crack, é possível vencer", que prevê, entre outras ações, ampla capacitação de profissionais das áreas de saúde, assistência social, justiça, segurança pública, conselheiros, educação lideranças comunitárias e religiosas.

Este curso tem carga horária de 120 horas/aula e os alunos que o concluírem receberão um certificado de extensão universitária registrado pela pró-reitoria de extensão da UNIFESP, juntamente com um kit de instrumentos para detecção do uso de crack, álcool e outras drogas.

As inscrições estarão abertas (somente on line) até o dia 24 de fevereiro de 2013.

As datas de início do curso serão divulgadas após o período de seleção dos alunos, os quais receberão um e-mail com o resultado da seleção. Utilize e-mail válido, pois será através dele que você receberá as orientações dos próximos passos.

         Para quaisquer esclarecimentos, envie um e-mail para inscricao.supera5@supera.org.br
www.supera.senad.gov.br/

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

QUEM COMPRA CELULAR PARA CRIANÇA PRATICA O CONSUMO CONSCIENTE?


Ontem fiquei muito preocupada com a educação que estou tentando dar para o meu filho. Logo que ele entrou no carro após a saída da escola, ele me disse:

_ Mãe só tem duas pessoas na minha sala que não tem celular.
_ É?
_ Minha professora e eu...
_Como você descobriu isso?
_ Eu contei para eles que nas férias eu tinha pego uma tatuíra nas mãos e aí todos acessaram a rede pelo celular ou no tablet para pesquisar porque não sabiam o que era.

Meu  filho tem apenas 9 anos, estuda o 4.º ano num colégio adventista e confesso que quase entrei em crise existencial quando ouvi aquilo. 

Ele ainda não tem computador no seu quarto. Recentemente mandei fazer um móvel apropriado para receber o equipamento porque sempre entendi que infância é uma época em que a criança deve pular, correr, nadar, andar de bicicleta, quando muito jogar video game.

Sempre tive receio de que ele começasse a teclar antes de aprender a ler e a escrever corretamente. Já tive estagiários que mal sabiam redigir um simples texto, sem contar os vícios de escrita que adquiriram com o uso do msn: "naum", abreviaturas inexistentes como "vc" e outras coisas do gênero.

Houve um período que ele insistiu muito para que o presenteasse com um aparelho de celular, pois, seu melhor amigo, vizinho do condomínio onde morávamos, tinha acabado de ganhar um. Tive várias conversas com ele e o meu maior argumento era: você não precisa disso para ser feliz.

Tanto eu como meu marido não somos fissurados por eletroeletrônicos e equipamentos de alta tecnologia. É claro que temos notebooks e aparelhos de celular, mas não ficamos aguardando ansiosamente novos modelos serem lançados para trocar os antigos. Tem um detalhe: nem eu e nem meu marido trabalhamos diretamente com esse ramo.

Estou avaliando essa situação e ainda não sei se todos os outros pais estão certos e somente eu e meu marido estamos errados... 

Antes de consumir qualquer produto, procuro verificar a real necessidade dele na minha vida e na dos meus familiares. Frequentemente faço 3 perguntas: eu preciso? Eu tenho dinheiro? Eu posso esperar? Normalmente se respondo sim para a última pergunta, eu não compro.