terça-feira, 26 de junho de 2012

Defensoria investe em conscientização para prevenir violência doméstica



A violência doméstica deve ser reconhecida como um problema social e é um mal que vem se tornando cada dia mais visível. Atuante em Cuiabá, em uma das varas especializadas da violência doméstica contra a mulher, a defensora pública Rosana dos Santos Leite, notou que os inúmeros problemas familiares têm causado a destruição de muitos lares.

Em sua atuação, a defensora pública percebeu que as brigas e discussões geralmente estão ligadas ao uso de álcool, de drogas e até mesmo por ciúmes. Diante dessa realidade, Dra. Rosana se reuniu no dia 25 de junho com moradores dos Bairros Jardim Colorado, Ribeirão do Lipa e Amperco, para debater sobre a prevenção à violência doméstica.

No encontro, os moradores puderam conhecer um pouco mais sobre a violência doméstica, os casos, a realidade e como reverter essa situação.

"O conhecimento sobre o tema, bem como a demonstração da violência e, após, em antítese, da felicidade familiar, pode sim diminuir a necessidade de aplicação da Lei Maria da Penha", garante a defensora, que foi acompanhada pela servidora Mônica Furtado.

Foram mostradas fotografias públicas de violência doméstica e também do oposto, ou seja, retratos da felicidade através da família estruturada no amor. Após a explanação foram respondidas diversas dúvidas dos presentes sobre violência doméstica e a respeito da atuação da Defensoria Pública.

"Entendo que primeiro devemos atacar a causa e depois as consequências. É necessária uma prevenção, a fim de tentar expor à população o que vem causando essa terrível prática dentro dos lares", ressalta Rosana.

domingo, 17 de junho de 2012

LEMBRANÇAS PERDIDAS DA MINHA MÃE - poesia sobre mal de Alzheimer

Na data de 13 de Maio deste ano, dia das mães, escrevi uma poesia para expressar o que sentia naquele momento...
No dia 13 de Junho, ou seja, um mês depois, minha mãe faleceu...
Cinco dias se passaram e eu ainda não consegui escrever uma linha a respeito da morte. 

Um amigo publicou no meu mural o poema de Pablo Neruda: Morre Lentamente, que é lindo, mas não serve como inspiração para escrever sobre a morte lenta que assisti durante doze anos.
 
"Após completar 60 anos começaram a surgir os primeiros sintomas da demência.
Aos poucos relaxou com sua própria higiene e de suas roupas e também com a limpeza da residência.
Guardava objetos pessoais e o lugar onde os havia colocado não se recordava...
_Alguém pegou..._ Reclamava!
Chaves da casa, documentos e dinheiro dentro de seu sutiã era encontrado com frequência.
O arroz queimava, o feijão salgava,
e o suco melado virava!
_O almoço está bom? Ela perguntava...
_Sim, mamãe, uma delícia! _ Eu com disfarçada alegria respondia!
Histórias de sua mocidade já contadas várias vezes, ela repetia.
O que havia comido no café da manhã, ela não se lembrava...
A nostalgia tomava conta da sua rotina. Sorria, dançava e mexia com as pessoas na rua.
Às vezes vestia várias roupas, uma por cima da outra. Às vezes ficava nua.
Com o tempo a agressividade apareceu....
Zangava, xingava, batia, discutia e fugia.
Depois veio a calmaria:
falava o dia inteiro coisas sem nexo, frases repetitivas.
Paulatinamente foi se esquecendo dos filhos.
Quando eu a chamava de mãe, não mais me respondia.
Um os últimos presentes que lhe dei, ela sequer desembrulhou...
Achou o pacote muito bonito e o guardou!
Lentamente foi se distanciando e de repente emudeceu.
Começou a usar fraldão.
Passou a precisar de ajuda para se alimentar porque sobre seus movimentos já não possuía mas coordenação.
Deixou de andar.
E entrou em cena a tão temida cama hospitalar.
E assim a doença de Alzheimer foi chegando e minha mãe foi sendo levada para um lugar desconhecido.
Hoje sei onde está seu corpo ainda vivo...
Mas a minha mãe, aquela mulher incrível...
que me deu bons exemplos e me ensinou muita coisa...
essa deve estar em algum lugar longe ou perto daqui mas ainda por enquanto, inacessível!


Autora: TÂNIA REGINA DE MATOS

terça-feira, 5 de junho de 2012

Meio ambiente saudável é um direito humano




Ninguém tem dúvida de que arrancar uma flor de um jardim, pisar na grama, cortar uma árvore ou maltratar animais causam danos ao meio ambiente, tanto que em Dezembro passado a cena de uma mulher espancando um cachorro foi alvo de inúmeras críticas.

Covarde, cruel e monstruosa foram alguns dos adjetivos imputados a suposta enfermeira de Goiás por ter praticado a reprovável ação na frente de uma criança.

O que dizer então dos maus tratos em relação aos humanos? Será que estes têm menos direitos que outras espécies de seres vivos?

Tenho acompanhado através de noticiários que presas provisórias de Sorriso, MT, têm vivido momentos de horror na delegacia da cidade: não há vaso sanitário, não tem energia e são apenas dois colchonetes revezados pelas detentas para dormir. Quando chove, elas precisam ficar em pé, porque a cela fica toda inundada.

Doentes mentais sofrem tortura, conforme afirma o Promotor de Justiça de Goiás, dr. Haroldo Caetano da Silva, que diante da Lei 10.216, sequer se cogita do recolhimento do paciente submetido à medida de segurança em cadeia pública ou qualquer outro estabelecimento prisional, fato assaz corriqueiro aqui no Estado, mormente no setor de saúde da penitenciária central do Pascoal Ramos.

De uma forma geral os estabelecimentos prisionais do Estado estão com problemas estruturais: falta vagas e atendimento médico, a atividade laborativa e educacional oferecida é insuficiente para atender a toda população carcerária. A situação não é diferente em Cáceres, Lucas do Rio Verde, Sinop e Sapezal.

Do lado de fora da cadeia pública de Várzea Grande corre esgoto a céu aberto: uma verdadeira podridão. Esta situação se perdura há quase dois anos.

A qualidade do meio ambiente dessas unidades não é degradante somente para os detentos, mas também para os familiares que vão visita-los, para aqueles que ali trabalham como assistente social, enfermeira, policiais militares e agentes prisionais, além da equipe administrativa. A mensagem que os presos e os funcionários recebem através desse descaso é óbvia!

O Brasil passou pela segunda Revisão Periódica Universal (RPU), em Genebra (Suíça) no último dia 25 feita por um grupo de trabalho do Conselho de Direitos Humanos (CDH) da Organização das Nações Unidas (ONU) onde foi apresentado um relatório sobre a situação em nosso País. A ONU pediu ao Brasil que coloque Defensores Públicos em todos os locais de detenção.

Não posso falar de outros Estados, mas em Mato Grosso as visitas a esses estabelecimentos são feitas com frequência pelos meus colegas e as medidas judiciais cabíveis são propostas (temos cópias protocoladas de todas).

Mato Grosso será cobrado. Afinal, a capital do Estado é uma das sedes da Copa, e como foi amplamente divulgado, o respeito aos direitos humanos durante os preparativos para este evento é uma das grandes preocupações do Conselho de Direitos Humanos (CDH) da Organização das Nações Unidas (ONU).

E aí? Será que com a atual qualidade do meio ambiente nesses espaços conseguiremos ser aprovados?


Tânia Regina de Matos
Defensora Pública do Estado de Mato Grosso
Vice-presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher