quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

É possível não ser traída?


Já faz algum tempo que eu queria escrever sobre algum assunto que fuja do meu trabalho, mas, até traição é assunto do meu trabalho. Explico: atuo na vara de violência doméstica fazendo defesa da vítima, e aí gente... não tem jeito, pois, onde tem casal brigando, raramente não tem traição.

Em junho de 2009 fiz um post com o título Traição gera obrigação de indenizar e até hoje recebo e-mails com perguntas a respeito. A maioria vinda de mulheres. Mas tenho recebido muitas mensagens de homens traídos perguntando quais são os direitos da "traídora" após o divórcio. Quase sempre os homens não têm dúvida a respeito do fim na união, mas já as mulheres... 

O que vou escrever aqui não é fruto de nenhuma pesquisa científica e sim de relatos de amigas, clientes, parentes e pessoas do meu convívio, portanto, não é uma fórmula mágica nem tampouco uma receita exata.

Primeiro: não seja ciumenta. Se você demonstrar insegurança ele vai desconfiar que você tem medo de perdê-lo e a traição começa no seu pensamento. Pense em coisas boas, em alegria entre você e ele, e se vocês estiverem em sintonia, vocês formarão uma corrente que impedirá pensamentos insanos dele e de qualquer pessoa que esteja interessada em melar sua relação.

Segundo: confie. Pode ser difícil, principalmente se você já foi traída antes, mas perdoe-se e perdoe aquele que te traiu também, afinal foi ele quem saiu no prejuízo por não estar mais com a mulher maravilhosa que é você. Não há como monitorar todos os passos do seu amado. Você não é onipresente. E lembre-se não existem vítimas nas traições. Em algum momento você falhou ou como parceira ou como amante ou como amiga. Aceite o fato de que você não é perfeita! Você é única beirando a perfeição, mas erra de vez quando! Permita-se errar.

Terceiro: admita seu erro. Peça desculpas quando perceber que errou. Homem nenhum suporta mulher arrogante. Agora não peça desculpas o tempo todo porque mulher humildizinha e boazinha demais é candidata a Amélia.

Quarto: trabalhe o suficiente. Mulher que trabalha demais não acha tempo e nem disposição para o amor. Quando você estiver no auge de sua carreira vai querer alguém especial para dividir isso.

Quinto: relaxe. Principalmente na sua casa. Pare de colocar etiqueta em tudo, você não está no seu escritório. Deixe que seu parceiro bagunce a sua cozinha, desarrume seu quarto e molhe seu banheiro. Muitos homens conseguem ser bem mais organizados e higiênicos que muitas mulheres, mas sabemos que isso não é a regra até por questões culturais.  Se você quiser alguém que deixe tudo arrumadinho como você tem o costume de fazer, arrume uma pessoa que seja muita parecida com você (inclusive que tenha os mesmos defeitos).

Sexto: fuja da rotina. Programe algo diferente. Se gostam de assistir filmes em casa, escolha uma aventura romântica ao invés de comédia. Assista algumas cenas antes e tente repeti-las para ou com ele durante o filme.

Sétimo: deixe claro que você gosta da sua companhia. Quando você está passando mais tempo com seus parentes e amigos alguma coisa está errada. 

Oitavo: cuide de você. Para manter você linda por dentro: medite e ore. Para manter você linda por fora: pratique atividade física, pinte os cabelos e faça as unhas de vez em quando. Não invente desculpas. Você pode caminhar e pedir ajuda a uma amiga que sonha em ter seu próprio salão de beleza.

Nono: converse. Mas não converse sozinha. Deixe ele falar e ouça. Ouça com atenção cada palavra e analise tudo com calma. Se possível volte ao assunto dentro de um prazo razoável para ver se as coisas melhoraram.

Tarde demais? Você já foi traída? Procure mudar para não acontecer de novo. Mas é o seu parceiro o problema? Mude, de parceiro. Não quer mudar, tem filhos, família e aquela coisa toda...Perdoe. Procure um terapeuta e ponha tudo para fora. Depois esqueça tudo, não toque mais no assunto com ninguém. 

Pratique o exercício do perdão: 70 vezes 7 vezes, mas só faça isso se tiver estrutura emocional para tanto. O perdão precisa ser verdadeiro, caso contrário você estará sendo infeliz e se autodestruindo. Não faça isso com você.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

BOLSA PRESO


Gente: cada preso custará 2.700,00 para o Estado de Minas Gerais numa parceria público-privada. E ainda estão achando vantajoso já que normalmente o custo de um presídio administrado pelo próprio Estado é de 2.800,00. Vamos combinar, se não fosse tão absurdo e utópico saíria mais barato criar o "bolsa preso", o preso se comprometeria em não praticar mais crimes e receberia 700,00 do Governo para ficar na sua própria casa. A economia seria de R$ 2.000,00 por cada preso. Esse dinheiro daria para investir em educação, tratamento de drogados e outras áreas. Leiam para vocês entenderem:
Texto de ALEX RODRIGUES BRASÍLIA/ABR

Minas Gerais inaugurou na última sexta-feira (18) o primeiro complexo penitenciário do Brasil construído e administrado por empresas particulares. Anunciado pelo governo mineiro como resultado de um “modelo inédito de parceria público-privada (PPP)” na América Latina, o complexo está localizado em Ribeirão das Neves, região metropolitana de Belo Horizonte, com custo de R$ 280 milhões a cargo do grupo responsável pelo complexo. A cifra investida contempla também o treinamento e a capacitação dos monitores, que serão contratados pelo consórcio. Pelo projeto original, o Complexo Penitenciário Público-Privado terá capacidade para receber 3.040 detentos do sexo masculino. A primeira das cinco unidades já está pronta. A previsão é que as quatro restantes sejam concluídas até dezembro deste ano. Ontem, os primeiros dos 608 presos do regime fechado que ocuparão a Unidade começaram a ser transferidos, sob um esquema especial de segurança. De acordo com a Secretaria Estadual de Defesa Social, o governo mineiro se inspirou na experiência de outros países, como a Inglaterra, para assinar a parceria com o
consórcio Gestores Prisionais Associados (GPA), ganhador da licitação em 2008. Ainda segundo a secretaria, as cinco empresas que compõem o consórcio (CCI Construções, Construtora Augusto Velloso, Empresa Tejofran de Saneamento e Serviços Ltda, N.F Motta Construções e Comércio e Instituto Nacional de Administração Prisional) têm comprovada experiência na construção e administração de presídios, dispondo da “mais alta tecnologia de segurança”. Além de construir a penitenciária, o consórcio vai administrar pelos próximos 25 anos e vai receber, por cada preso, R$ 2,7 mil mensais. O custo médio por detentos de outras unidades prisionais é R$ 2,8 mil, de acordo com a secretaria. Em contrapartida, o consórcio terá que atender a indicadores de desempenho definidos pelo governo estadual, entre eles, impedimento de fugas e rebeliões. Em eventual ocorrência de um desses casos, o valor pago ao consórcio sofrerá desconto.

domingo, 20 de janeiro de 2013

INTERNAÇÃO COMPULSÓRIA: A POLÊMICA POR TRÁS DA MEDIDA

O governo de São Paulo adota uma política polêmica que é a internação compulsória de dependentes químicos, para tentar diminuir e controlar o uso desenfreado do crack. Uma medida respaldada na ação integrada com o Ministério Público, o Tribunal de Justiça e a Ordem dos Advogados do Brasil, a OAB. Um serviço que contará com Comissão Antidrogas formada por promotores, juízes e advogados, além de um plantão criado pelo Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod).  O crack é uma droga que possui efeito rápido e que, por isso, o usuário passa a não ter controle de si. A agressividade que a droga causa no organismo faz com que o indivíduo não tenha percepção da destrutividade na qual está envolvido. Pautado neste argumento, o deputado federal Eduardo Da Fonte (PP-PE) propôs a política pública que prevê a possibilidade de internação compulsória dos dependentes químicos por ordem judicial. Atualmente existem 3 formas de internação, a voluntária, involuntária e compulsória. Na primeira a pessoa aceita ser encaminhada para o hospital, num período de curta duração. O tratamento é intensivo, necessário e acontece de acordo com a vontade do paciente. No segundo caso, a internação involuntária acontece quando a pessoa está em surto, agitada e agressiva exageradamente. O paciente precisa ser contido e o uso de camisa de força pode ser um recurso. Já na internação compulsória depende da intervenção de um juiz e é usada nos casos em que a pessoa esteja correndo risco de morte devido ao uso de drogas ou de transtornos mentais. Esta medida acontece mesmo contra a vontade do paciente. Aos que defendem a medida, o principal argumento é baseado nos pífios resultados do governo em controlar a proliferação das drogas no país e que é preciso, portanto, uma medida mais enérgica contra essa mazela. Reforça o coro a favor da internação compulsória o ministro da Saúde Alexandre Padilha e o Conselho Federal de Medicina (CFM). Em contrapartida, entidades de direitos humanos e dos conselhos regionais de enfermagem, assistência social e psicologia criticaram severamente a lei, pois, além de ser truculenta, a medida causa humilhações, maus tratos e violência. A crítica ainda mais contundente possui como cerne uma espécie de “limpeza das ruas” que o governo quer realizar e que contradiz a Reforma Psiquiátrica. A Reforma Psiquiátrica visa garantir ao doente mental cidadania, ou seja, respeito a seus direitos e a sua individualidade, permitindo a inserção na sociedade e decretando o fim ao isolamento, repressão e à arbitrariedade da eugenia. A ressocialização vai contra a exclusão social e a favor de restabelecer a afetividade e a integridade. Toda esta nova mentalidade flerta com a luta antimanicomial, ou seja, diminuir os manicômios no país. Para tal, os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) surgem como opção para atendimentos especializados em Saúde Mental, abertos e comunitários, em que os postos são transitórios para os usuários. A internação compulsória ganha força às vésperas da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016, em que o acolhimento social defendido na medida parece um “recolhimento” social. A questão não é o crack, mas o que faz com que as pessoas estejam naquela situação. Desemprego, violência e o tráfico de drogas são os verdadeiros alvos desta luta. Investir em educação, empregos, habitação e justiça são medidas muito mais eficazes do que os imediatismos de uma faxina social.

BRENO ROSOSTOLATO É PSICÓLOGO CLÍNICO, TERAPEUTA SEXUAL E
PROFESSOR DA FACULDADE SANTA MARCELINA (FASM)

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

O que é ser comprometido? Você é?

Escrito por Luiz Marins

Quando perguntamos a qualquer empresário, presidente, diretor, gerente, supervisor, chefe, o que ele mais deseja de seus colaboradores, a resposta é imediata: “Gostaria que eles fossem mais comprometidos”.
Quando perguntamos a amigos, professores, pais, filhos, membros de clubes e associações, o que eles mais sentem falta nas pessoas de seu relacionamento, a resposta é a mesma. “Gostaria que as pessoas fossem mais comprometidas”. Mas, afinal, o que é, de fato, “ser uma pessoa comprometida”?

Veja 10 coisas que nos disseram:

Uma pessoa comprometida procura sempre colocar-se no lugar das outras; sentir o que as outras sentem;
Uma pessoa comprometida faz tudo com atenção aos detalhes. Ela presta atenção em tudo o que faz, no detalhe do detalhe;
Uma pessoa comprometida termina o que começa e não deixa as coisas pela metade;
Uma pessoa comprometida vem com soluções, e não com mais problemas, quando tem uma tarefa a cumprir;
Uma pessoa comprometida pergunta o que não sabe e demonstra vontade de aprender. Vai fundo até dominar o que não sabe e deveria saber;
Uma pessoa comprometida cumpre prazos e horários;
Uma pessoa comprometida não vive dando desculpas por seus atos e nem procura culpados pelos erros cometidos;
Uma pessoa comprometida não vive reclamando da vida e falando mal das pessoas. Ela age para modificar a realidade;
Uma pessoa comprometida não desiste facilmente. Ela não descansa enquanto não resolver um problema. Ela vai atrás da solução;
Uma pessoa comprometida está sempre pronta a colaborar com as outras. Ela participa. Dá idéias. Você pode contar com ela.

Pense se as pessoas avaliam você como alguém verdadeiramente comprometido.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O Bolsa Família e a revolução feminista no sertão

Esse post foi enviado através de e-mail por uma amiga virtual, uma jornalista muito competente, que sempre escreve e me manda coisas interessantes. Esta matéria foi escrita por uma colega dela, Mariana Sanches. Resolvi postar e gostaria de ouvir a opinião de vocês... Só vou falar o que acho, depois que vocês se manifestarem!

O dinheiro do Bolsa Família trouxe poder de escolha às mulheres do sertão.
O dinheiro do Bolsa Família trouxe poder de escolha às mulheres do sertão.
A antropóloga Walquiria Domingues Leão Rêgo testemunhou, nos últimos cinco anos, uma mudança de comportamento nas áreas mais pobres e, talvez, machistas do Brasil. O dinheiro do Bolsa Família trouxe poder de escolha às mulheres. Elas agora decidem desde a lista do supermercado até o pedido de divórcio.
Mariana Sanches, via Marie Clarie
Legenda: O dinheiro do Bolsa Família trouxe poder de escolha às mulheres do sertão.
Uma revolução está em curso. Silencioso e lento – 52 anos depois da criação da pílula anticoncepcional – o feminismo começa a tomar forma nos rincões mais pobres e, possivelmente, mais machistas do Brasil. O interior do Piauí, o litoral de Alagoas, o Vale do Jequitinhonha, em Minas, o interior do Maranhão e a periferia de São Luís são o cenário desse movimento.
Quem o descreve é a antropóloga Walquiria Domingues Leão Rêgo, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Nos últimos cinco anos, Walquiria acompanhou, ano a ano, as mudanças na vida de mais de 100 mulheres, todas beneficiárias do Bolsa Família. Foi às áreas mais isoladas, contando apenas com os próprios recursos, para fazer um exercício raro: ouvir da boca dessas mulheres como a vida delas havia (ou não) mudado depois da criação do programa. Adiantamos parte das conclusões de Walquiria. A pesquisa completa será contada em um livro, a ser lançado ainda em 2013.
Mulheres sem direitos
As áreas visitadas por Walquiria são aquelas onde, às vezes, as famílias não conseguem obter renda alguma ao longo de um mês inteiro. Acabam por viver de trocas. O mercado de trabalho é exíguo para os homens. O que esperar, então, de vagas para mulheres. Há pouco acesso à educação e saúde. Filhos costumam ser muitos. A estrutura é patriarcal e religiosa. A mulher está sempre sob o jugo do pai, do marido ou do padre/pastor. “Muitas dessas mulheres passaram pela experiência humilhante de ser obrigada a, literalmente, ‘caçar a comida’”, afirma Walquiria. “É gente que vive aos beliscões, sem direito a ter direitos.” Walquiria queria saber se, para essas pessoas, o Bolsa Família havia-se transformado numa bengala assistencialista ou resgatara algum senso de cidadania.
Batom e Danone
“Há mais liberdade no dinheiro”, resume Edineide, uma das entrevistadas de Walquiria, residente em Pasmadinho, no Vale do Jequitinhonha. As mulheres são mais de 90% das titulares do Bolsa Família: são elas que, mês a mês, sacam o dinheiro na boca do caixa. Edineide traduz o significado dessa opção do governo por dar o cartão do benefício para a mulher: “Quando o marido vai comprar, ele compra o que ele quer. E se eu for, eu compro o que eu quero.” Elas passaram a comprar Danone para as crianças. E, a ter direito à vaidade. Walquiria testemunhou mulheres comprarem batons para si mesmas pela primeira vez na vida. Finalmente, tiveram o poder de escolha. E isso muda muitas coisas.
O dinheiro leva ao divórcio e à diminuição do número de filhos?
“Boa parte delas tem uma renda fixa pela primeira vez. E várias passaram a ter mais dinheiro do que os maridos”, diz Walquiria. Mais do que escolher entre comprar macarrão ou arroz, o Bolsa Família permitiu a elas decidir também se querem ou não continuar com o marido. Nessas regiões, ainda é raro que a mulher tome a iniciativa da separação. Mas isso começa a acontecer, como relata Walquiria: “Na primeira entrevista feita, em abril de 2006, com Quitéria Ferreira da Silva, de 34 anos, casada e mãe de três filhos pequenos, em Inhapi, perguntei-lhe sobre as questões dos maus-tratos. Ela chorou e me disse que não queria falar sobre isso. No ano seguinte, quando retornei, encontrei-a separada do marido, ostentando uma aparência muito mais tranquila.”
A despeito do assédio dos maridos, nenhuma das mulheres ouvidas por Walquiria admitiu ceder aos apelos deles e dar na mão dos homens o dinheiro do Bolsa. “Este dinheiro é meu, o Lula deu pra mim (sic) cuidar de meus filhos e netos. Pra que eu vou dar pra marido agora? Dou não!”, disse Maria das Mercês Pinheiro Dias, de 60 anos, mãe de seis filhos, moradora de São Luís, em entrevista em 2009.
Walquiria relata ainda que aumentou o número de mulheres que procuram por métodos anticoncepcionais. Elas passaram a se sentir mais à vontade para tomar decisões sobre o próprio corpo, sobre a sua vida. É claro que as mudanças ainda são tênues. Ninguém que visite essas áreas vai encontrar mulheres queimando sutiãs e citando Betty Friedan. Mas elas estão começando a romper com uma dinâmica perversa, descrita pela primeira vez em 1911, pelo filósofo inglês John Stuart Mill. De acordo com Mill, as mulheres são treinadas desde crianças não apenas para servir aos homens, maridos e pais, mas para desejar servi-los. Aparentemente, as mulheres mais pobres do Brasil estão descobrindo que podem desejar mais do que isso.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

A Defensoria Pública e a sociedade

Minha amiga e colega Rosana Leite escreveu o artigo abaixo. Gostaria que vocês lessem e se concordarem, por favor, assinem a petição para derrubada do veto, clicando aqui.

 São conceitos indissociáveis, vez que a primeira é a defensora incondicional da segunda. É sabido que a Defensoria Pública tem a função de efetivar a democracia dentro do cenário social, diminuindo as
desigualdades que ainda teimam em reinar. A Defensoria Pública existe em todo o mundo, entretanto, é visível a sua maior atuação em países menosdesenvolvidos economicamente, tal como o Brasil.
É do nosso sacerdócio a orientação jurídica gratuita a qualquer do povo, e a defesa judicial e extrajudicial do declarado pobre na forma da lei.

Fazemos, nós Defensores Públicos, a balança da justiça diminuir o seu peso sobre os menos afortunados, pois, aqueles que possuem condições de efetuar o pagamento dos melhores advogados,  assim o fazem. E os hipossuficientes? Esses são os nossos assistidos. Dilucida a Constituição Federal de 1988 que a Defensoria Pública é função essencial à atividade da justiça. E a emenda constitucional 45/2004 afirmou textualmente que a Defensoria Pública é autônoma.

E assim deve ser para defender os direitos dos menos favorecidos com galhardia. Não podem os Defensores Públicos sofrer qualquer tipo de pressão, pois, as ações devem serinterpostas contra quem quer que seja. Eis o motivo maior da importância da aludida autonomia. A maioria dos eleitores do Brasil são assistidos da Defensoria Pública, porquanto, cerca de 80% (oitenta por cento) dos processos que tramitam pelo Poder Judiciário brasileiro são de pessoas hipossuficientes economicamente, portanto, atendidos pelos Defensores Públicos do País afora.Lugares onde não há Defensoria Pública não há democracia.

Então, a nossa conclusão: políticos que respeitam os seus eleitores querem o crescimento da Defensoria Pública. Nossos políticos devem primar pela Defensoria Pública eficiente e autônoma, visto que o povo que os elegem depende da instituição para trilhar os caminhos da justiça social. Apesar de nossa autonomia ser consolidada perante a Lei Maior, precisa-se de instrumentos para colocá-la em prática.

Assim, tramitou perante o Senado e Câmara Federal o Projeto de Lei 114/2011 que prevê a alteração da Lei de Responsabilidade Fiscal, instituindo para as Defensorias Públicas 2% dos orçamentos dos Estados.

Como deveria ser, referido projeto foi aprovado nas duas casas do Congresso com o irrestrito apoio da bancada do Governo, faltando apenas a sanção presidencial. Por ser mulher, vibrei com a posse da primeira presidenta do Brasil.

Pois é...

Justo ela, a presidenta da República que representa o partido vermelho, que possui como uma de suas bandeiras a diminuição da desigualdade social, vetou a mudança da Lei de Responsabilidade Fiscal em prol do povo brasileiro.

Que fique lúcido: o fortalecimento da Defensoria Pública é o fortalecimento do povo. E chefes do executivo que respeitam os seus eleitores devem primar pelo fortalecimento da instituição que os defende – a Defensoria Pública.

ROSANA LEITE é defensora pública Estadual e Presidenta do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher do Estado de Mato Grosso.