terça-feira, 3 de julho de 2007

Blog-se quem puder

Cláudio Ferreira lista nove tipos de blog e blogueiros. Será que você é um deles?

Os números, sempre eles...de acordo com pesquisa do site Technorati, que monitora o universo da blogosfera – sim, existe um termo específico apenas para o ambiente dos blogs –, em abril, o total de blogs quebrou a barreira dos 70 milhões.

É construído 1,4 blog por segundo e são escritas 1,5 milhão de posts por dia, ou seja, 17 posts a cada segundo. Se você leu o parágrafo até aqui, algo como 350 posts já foram publicados. E, nessa enxurrada, a língua portuguesa colabora com 2%, enquanto os recordistas são os japoneses, com 37% de todos os blogs/posts.

Deixando a contabilidade de lado, fica a pergunta, principalmente para aqueles que não possuem um blog, qual a sua função e quem ou para quê eles são feitos? As respostas podem ser tão variadas quanto os grãos de areia da Praia de Copacabana, mas alguns perfis ou mitos associados aos blogs podem ser analisados.

A seguir uma divisão dos tipos de blogs mais comuns e do seu possível público:

Blog como diário – a sua mãe ou a sua avó tinha um livrinho com paginas em branco, uma quase agenda, que ela se dispunha a escrever todo dia e chamava de diário. Esse diário foi transposto para o ambiente web no ano de 1997 com o nome de blog. De lá para cá, mais e mais jovens fazem uso dele. Quem lê: os pais que querem se informar sobre os filhos, amigos/amigas e futuros "prospects" amorosos ou gente invejosa mesmo.

Anonimato nunca mais – pessoas tímidas ou com um grande desejo de serem notadas montam blogs com informações pessoais, algumas bem mais apimentadas que outras. Quem lê: voyeurs em geral ou a sua mãe, que fica escandalizada.

Diário de viagem – o sujeito fez uma viagem bacana e quer que todos os amigos, inimigos e quem mais se interessar leia sobre a sua trip. Quem realmente lê: namorados/namoradas, ex-namorados/ex-namoradas e alguns familiares.

Sou jornalista, e daí? – como todo jornalista que se preze, o profissional quer se fazer notar, quer opinar até mesmo sobre algo que ele ouviu falar vagamente. Exemplo: massacre étnico na região de Darfur. Em especial, o sujeito que em alguns casos não tem espaço para falar tudo que deseja. Quem lê: os amigos para falar mal dele depois e alguns internautas.

Hora extra – também na categoria jornalista, muitas empresas de comunicação viram que algumas de suas "estrelas" davam Ibope na web ao escrever um blog. Resultado, elas cooptaram ou "pediram delicadamente" para que os blogs de seus profissionais estivessem dentro do site-mãe da empresa. Outros jornalistas, que eram mais resistentes ou céticos, foram "convidados" a montar um blog. Quem lê: internautas em busca de informação diferenciada...mas nem tanto assim.

Quero ser jornalista quando crescer – uma derivação das categorias anteriores. É o cara que pretende transformar o seu blog em uma verdadeira alternativa de informação, mesmo que isso seja bem utópico. Nos Estados Unidos existem exceções, gente que montou verdadeiras redes de informantes, se tornando referência no mundo do cinema e até na política, exercendo de fato um jornalismo alternativo. Quem lê: qualquer pessoa.

Até no trabalho – muitas corporações entraram na onda nos últimos anos e viram que o blog pode ser um instrumento de aproximação com o cliente. Meio marketing, meio relações-públicas...esses blogs ganham espaço e verbas. Vide o blog criado pelo presidente mundial da Ford. Mas é ele que lê e escreve tudo? Claro que não, o que importa é o mito. Quem lê: consumidores avisados e desavisados.

Comunidade
– no período pré-Orkut, muitos blogs foram criados para fomentar comunidades. Exemplo: eu gosto do Chaves ou eu gosto de música de Cabo Verde. A idéia se diluiu nos últimos anos com o surgimento das ferramentas específicas de comunidades, como o Orkut. Quem lê: quem faz blogs e o público em geral.

Eu te odeio! – páginas que servem para dizer o quanto se odeia determinada pessoa, empresa, político etc. O que motiva, no entanto, pode ser tão nebuloso ou parcial quanto o fato de não gostar de quiabo. Quem lê: quem odeia.

Tô fora!
– se existem 70 milhões de blogs e, estima-se, 750 milhões de internautas no mundo, o fenômeno dos blogs não é tão fenômeno assim. Afinal, menos de 10% das pessoas se dispuseram a montar um – isso sem excluir os blogs montados por empresas. Quem não faz blogs: pelo menos 90% dos internautas do mundo.

Se você leu o artigo até aqui, saiba que algo como 5 mil ou 7 mil posts foram para o ar nesse tempo, de acordo com a velocidade da sua leitura. Incrível, não? Saibam que eu mesmo estou propenso a montar um blog...a minha dúvida é o assunto. Ainda não sei, "mas vai ser uma visão única, inteligente e que foge dos padrões das informações do mainstream". Enfim, um blog que você nunca viu...ou talvez nunca verá mesmo.

Claudio Ferreira é jornalista e escreve sobre tecnologia há 10 anos e sobre cultura desde sempre. E-mail: cferreira2006@gmail.com .





4 comentários:

Maria Fernanda disse...

Sou Blogueira...sou praeira...sou casada...vc que mais oque?
Gostou da minha música?
beijos

Tânia Defensora disse...

kkkkkkkkkkkkk
Gostei!

Osc@r Luiz disse...

Acho "Blogs" algo complexo demais para criarmos "rótulos".
Se sentiriam capazes de rotular os seus?
Beijos!

Tânia Defensora disse...

Absolutamente não!