quinta-feira, 5 de julho de 2007

Mulher: Aborto é problema seu

Vou emitir minha opinião sobre um assunto que me incomoda muito, mas que a sociedade insiste em não discutir de forma desapaixonada e sem interferências de credos religiosos.
É sabido que o aborto é a quarta causa de morte de mulheres em nosso País, em razão deste e de outros argumentos, os movimentos em defesa dos direitos das mulheres pretendem a legalização do aborto.
Mais uma vez o problema vai para o Direito Penal resolver. Criminiza, descriminiza, aumenta pena, diminui a pena, transforma em crime hediondo, constrói cadeia para adolescentes infratores e assim vai.
Será que só existe essa saída para diminuir o alto índice de mulheres que morrem em razão do aborto?
No Brasil criou-se um paradigma para resolver os problemas que ninguém consegue solucionar: edita-se uma lei e pronto! Ora, porque as mulheres abortam? Porque não querem ter os filhos. Porque procuram clínicas clandestinas ou o fazem em casa? Porque o aborto é crime. Porque o aborto é crime? Porque matar alguém é um fato típico e antijurídico previsto no Código Penal. Oh, oh! Mas a seqüência das perguntas não seguiu a ordem correta... Porque as mulheres engravidam? Porque mantém relações sexuais. Porque não se protegem durante as relações? Eis a questão.... questão de gênero...
Como trabalhar essa questão? A sexualidade é discutida nas escolas? As meninas e os meninos sabem que quando começarem ter uma vida sexual ativa terão que usar métodos contraceptivos? As mulheres e os homens adultos de hoje estão cientes que esses métodos existem? A obrigação de prevenir é de quem, da mulher ou do casal? Até agora só me referi ao ato sexual consentido e os casos de violência? Ainda hoje algumas mulheres não têm escolha, são obrigadas a manterem relação sexual com seus parceiros sem preservativo. E a solução encontrada é descriminizar o aborto...
Um estudo de pesquisadores da Universidade de Oslo (Noruega) demonstra que abortos voluntários podem resultar em traumas psicológicos que levam pelo menos cinco anos para serem superados.
O resultado da pesquisa foi publicado na revista acadêmica online BMC Medicine em Junho do ano passado. (www.biomedcentral.com/1741-7015/3/18/abstract).
A equipe de cientistas da Universidade de Oslo comparou 40 mulheres que tiveram abortos espontâneos com outras 80 que optaram pela interrupção da gravidez. Concluíram que o trauma psicológico de aborto 'pode durar 5 anos'

Aquelas que perderam os bebês em razão de problemas no parto sofreram estresse mental nos seis meses subsequentes. Já as mulheres que praticaram abortos de vontade própria enfrentaram efeitos negativos de duração maior.
O estudo faz cair um dos principais argumentos dos ativistas que militam pelo direito ao aborto: o que diz não haver provas ligando diretamente aborto provocado a trauma psicológico.
Os pesquisadores noruegueses disseram que os resultados reforçam a importância de se oferecer às mulheres informações sobre os efeitos psicológicos da perda de um filho, seja naturalmente, seja por aborto premeditado.
A equipe constatou que, dez dias após o aborto, 47,5% das mulheres que tiveram aborto espontâneo apresentaram sinais de algum tipo de sofrimento mental, contra 30% das que se submeteram a abortos.
O total de mulheres psicologicamente abaladas pelo aborto espontâneo caiu com o passar do tempo – 22,5% delas após seis meses e apenas 2,6% passados dois anos e cinco anos.
Já no grupo das mulheres que abortaram por escolha própria, 25,7% ainda sofriam seqüelas psicológicas depois de seis meses, e 20% delas continuavam com problemas mentais relacionados ao aborto cinco anos mais tarde.
Se a legalização do aborto for aprovada, o Brasil estará repetindo o modelo aí colocado: mulher a responsabilidade é sua, evite a gravidez, se você não evitar, você fará o aborto... se você não o fizer, o problema é seu, vai criar o filho sozinha... se você fizer, o problema é seu também, pois, quem correrá o risco da operação será você, quem sofrerá o trauma pós-cirúrgico será você.
Não é justo. Não é democrático. Homem não faz aborto, só a mulher pode ser submetida a este tipo de intervenção. O homem tem que dividir a responsabilidade do planejamento familiar e deve da mesma forma que a mulher se prevenir.

4 comentários:

Maria Fernanda disse...

Muito bem colocado Tânia, eu sempre tive uma dificuldade em falar sobre isso.
Beijos parabéns

Tânia Defensora disse...

Você, uma jovem professora, recém formada, teve dificuldades em falar nesse assunto dentro de uma sala de aula, imagine como deve ser para as professoras mais antigas!

Anônimo disse...

Mulher gera a vida e nao eh dona dela. O aborto em nome da defesa da vida da mulher tem que ser algo extremamente pesquisado e respeitado por medicos e autoridades, abrir um pretexto com o "numero alto" de mortes por causa de gestacao de risco eh puro achismo. Ja ocorre um genocidio muito maior do os judeus e vitimas do comunismo tiveram, as das criancas sem defesa assassinadas pelos por "pais" assassinos.

Tânia Defensora disse...

Quem deixou o comentário acima, sequer teve o trabalho de ler o texto.