quarta-feira, 8 de agosto de 2007

O anjo bom

Dois anos de surras incessantes.
Dois anos vivera o Chico junto da madrinha.
Numa tarde muito fria, quando entrou em colóquio com Dona Maria João de deus, chico implorou:
-Mamãe, se a senhora vem nos ver, porque não me tira daqui?
O espirito carinhoso afagou-o e perguntou:
-Por que está você tão aflito? Tudo, no mundo, obedece à vontade de Deus...
-Mas a senhora sabe que nos faz muita falta...
A Mãezinha consolou-o e explicou:
-Não perca a paciência. Pedi a Jesus para enviar um anjo bom que tome conta de vocês todos.
E sempre que revia a progenitora, o menino indagava:
-Mamãe, quando é que o anjo chegará?
-Espere, meu filho! - era a resposta de sempre.
decorrido dois meses, o Srº João Cândido Xavier resolveu casar-se e segunda núpcias.
E Dona Cidália, a segunda esposa, reclamou os filhos de Dona Maria João de Deus, que se achava espalhados em casas diversas.
Foi assim que a nobre senhora mandou buscar também o Chico.
Quando a criança voltou ao antigo lar contemplou a madrasta que lhe estendia as mãos.
Dona Cidália abraçou-o e beijou-o com ternura e perguntou:
- Meus Deus, onde estava este menino com a barriga deste jeito?
Chico, encorajado com o carinho dela, abraçou-a também, como o pássaro que sentia saudades do ninho perdido.
A madrasta bondosa fitou-o bem nos olhos e indagou:
- Você sabe quem sou, meu filho?
- Sei sim. A senhora é o anjo bom de que minha mãe já falou...
E, desde então, entre os dois, brilhou o amor puro com que o Chico seguiu a segunda mãe, até à morte.

2 comentários:

Maria Fernanda disse...

Temos muitos anjos em nossa caminhada, só precisamos reconhece-los. Eu já reconheci alguns, um deles é vc.
bjs

Tânia Defensora disse...

Obrigada!
A recíproca é verdadeira.