quinta-feira, 12 de março de 2009

MULHER

Na mesma estrofe relaciono mel e fel.
Degusto o gosto de ambas, malícia e carícia.


Transito entre a masmorra e o palco com elegância de quem o faz desde sempre.
A revolução hormonal me apresenta às sombras do meu ser e me projeta aos céus, radiante e luminosa como só pode ser quem conheceu o obscuro.


Poderosa, consciente da efemeridade da existência, senhora dos meus caminhos, transpiro as imprecisões do meu tempo.


Quando me permito, abrem-se as frestas onde se vê um a loba liberta, uivando para qualquer fluorescência. São lampejos raros em que o paralelismo dos mundos é rompido.


A alma feminina é liquida e ruidosa.
Neste universo molhado que oscila entre pântano, cachoeira, lago e mar, me curo para organizar o mundo, pois é este o laborioso papel da mulher:
Recompor a alma dos cosmos.

Solange Pereira da Silva

Um comentário:

Rose disse...

Lindo...lindo.
Pena o vaticano não ter lido, ainda, esse poema.Rsrsrsrsrsrssrr.