quarta-feira, 9 de setembro de 2009

DOIS CASOS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA TRATADOS PELA IMPRENSA COMO SIMPLES CASOS DE POLÍCIA

Só hoje em Cuiabá, dois casos de violência doméstica foram registrados, um deles com desfecho trágico. Infelizmente as manchetes não falam sobre violência doméstica:

TRIPLO HOMICÍDIO
Separação termina na morte de jovem e pais

Três pessoas foram mortas a tiros dentro da própria casa no bairro Passaredo, em frente ao Centro Integrado de Segurança e Cidadania (Cisc) do Coxipó. O atirador foi o ex-marido de uma das vítimas. Moacir Júnior não aceitou a separação e está foragido da Polícia. Ele chegou no local pelo portão do fundo, no horário de almoço, e após uma discussão atirou na ex-mulher, Alessandra de Paula Leandro, 29, e nos pais dela, Levi Monteiro de Souza, 45, e Maria Aparecida Monteiro. Vizinhos escutaram os tiros e chamaram a Polícia. Alessandra e Levi morreram no local. Maria Aparecida foi levada para o Pronto-Socorro de Cuiabá, onde morreu 2 horas depois.

Policias foram à casa do suspeito e encontraram uma carta. Moacir escreveu que a culpa do crime era da ex-mulher e também da juíza, responsável pelo processo de separação do casal. Ele relatou que ambas fizeram ele passar humilhação e queriam roubá-lo. Uma funcionária da creche onde estavam os 2 filhos do casal na hora do homicídio disse que o assassino ligou para saber se as crianças estavam lá. A Polícia suspeita que ele tinha intensão de matá-las também.

Ele foi casado por 5 anos com Alessandra. A amiga da vítima, Rúbia da Silva, 29, disse que o relacionamento do casal não deu certo porque Moacir era muito ciumento. Ele acreditava que os pais de Alessandra tinham obrigado ela a deixá-lo e já havia prometido vingança, inclusive dentro do Fórum em uma audiência para resolver impasses sobre a pensão, divisão dos bens e também medidas protetivas, que foram solicitadas mais de 8 vezes pela vítima, segundo a amiga. Rúbia afirma que a pensão foi aumentada de R$ 207 para R$ 300 e que a casa, onde os 2 moraram, devia ser vendida e ter o dinheiro dividido entre os 2. "Ela falou que nem queria a casa, queria apenas ficar em paz com os filhos".

Um vizinho da família contou que há 6 meses o acusado entrou na loja de família, que fica anexa a casa, e bateu em Alessandra e na mãe dela. Na ocasião, ele pegou uma faca e colocou no pescoço da ex-mulher. Elas foram socorridas por um funcionário.



NA CADEIA
Homem afirma à Polícia que matará

Depois de ameaçar a família da ex-mulher, desacatar e ameaçar por telefone o delegado e o escrivão plantonista, Marcelo Roberto de Oliveira, 37, foi preso em casa, no bairro Araés. Isto porque ele desafiou a Polícia a buscá-lo no que chamou de "minha fortaleza". O caso foi registrado no feriado de segunda-feira (7), depois que Marcelo invadiu a casa do avô da ex-mulher, onde ela está residindo com os 3 filhos do casal. Além de ameaçar os familiares dela, Marcelo é acusado de ter entrado em um dos quartos da casa e furtado um celular e outro equipamento eletroeletrônico digital.

O ex-cunhado dele percebeu o furto, depois que o acusado deixou a casa e fez as ameaças. O alvo da fúria de Marcelo é a ex-mulher C.R.N.C., 22, grávida de 4 meses e que vem se escondendo do marido, depois que se separou dele há 1 mês. Segundo ela, o casal tem 3 filhos. As crises de ciúmes, acusações de traições e ameaças, além de agressões constantes, motivadas pela embriaguez, fizeram com que ela deixasse a casa. No feriado, Marcelo buscou os 3 filhos menores do casal para passar o dia com ele. Mas além disso passou a procurá-la na casa dos parentes, acusando ela de estar traindo ele.

Depois da visita e das ameaças, a jovem procurou ajuda policial no Centro Integrado de Segurança e Cidadania (Cisc) do bairro Verdão, pois queria que ele lhe devolvesse as crianças. Para espanto dos policiais, ao entrarem em contato com Marcelo, tanto o escrivão como o delegado foram ameaçados e afrontados por ele, que dizia que mataria a mulher e a família dela. Marcelo mandou inclusive que os policiais, se tivessem coragem, que fossem buscá-lo em sua "fortaleza".

Atendendo o pedido, uma equipe foi até o local e fez a prisão dele, que continuou fazendo as ameaças de morte à ex-mulher e a família dela. C.R.N.C., pediu medidas protetivas contra o acusado, que já esteve preso em 2 oportunidades e responde por crimes de furto e uso de drogas. A vítima viveu 8 anos em companhia do acusado. (SR)

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