quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Enem: Defensoria quer problemas do SiSU sanados para próxima etapa


A Defensoria Pública da União entrou ontem com uma recomendação ao Ministério da Educação (MEC) pedindo que o Sistema de Seleção Unificada (SiSU) seja aprimorado para que os alunos não encontrem, na próxima fase de seleção, que se inicia em dez dias, os problemas identificados na primeira etapa, como lentidão e constantes erros no sistema.

Caso o problema não seja solucionado, a DPU afirma que entrará com uma ação pública contra o ministério pleiteando dano moral coletivo em favor de todos os estudantes prejudicados.

De acordo com o defensor público André Orgacgy, a medida foi tomada por conta das diversas reclamações de estudantes com dificuldades em acessar o portal. “Recebemos ligações de estudantes de quase todos os estados. E eu tive informações que sobraram quase 50% das vagas que estavam disponibilizadas. Acredito que isso tenha acontecido por causa dessa dificuldade de acesso. Onde já se viu vaga de instituição federal sobrar dessa forma?”, questiona o defensor.

Além da recomendação da defensoria, o deputado federal Ruy Pauletti (PSDB-RS) vai apresentar requerimento para convocar o ministro da Educação, Fernando Haddad, para explicar o que ele chamou de “uma série de trapalhadas e ingerências” ocorridas no Enem.

O estudante Daniel Valente, do Rio de Janeiro, está entre os alunos que entraram em contato com a defensoria para fazer reclamações. Ele lembra que passou um dia inteiro no sistema, mas não obteve resultado e, para conseguir finalizar a inscrição, teve que acessar o portal no sábado, às 6h da manhã.

O problema de Rúbia Ribeiro da Silva foi além da dificuldade em acessar o site. Ela entrou em contato com a DPU, pois suas notas das provas de português e matemática não foram lançadas no SiSU. Diante disso, ela não conseguiu se inscrever em nenhuma das universidades disponíveis. “Eu entrei em contato com o MEC e eles me pediram um prazo de 15 a 20 dias para dar alguma resposta”, afirma.

O Correio entrou em contato com o MEC, que afirmou que, na prova objetiva, o candidato tinha que marcar no cartão de resposta qual era o tipo de caderno que ele tinha recebido. Caso essa marcação tenha sido feita duas vezes ou de forma errada, o sistema, automaticamente, anularia a prova.

Apesar das reclamações, há estudantes que defendem o sistema. Ana Carolina Lazzarotto, de Brasília, ficou satisfeita com a novidade. “Não nego que foi um pouco lento, porém, eu acessei todos os dias e não encontrei nenhuma mensagem de erro”, afirma.

Nesta primeira etapa, o sistema registrou 793,9 mil inscrições. O resultado dos alunos que conseguiram uma vaga em uma das instituições que aderiram ao Enem como forma de seleção estava programado para ir ao ar, no site do MEC, às 6h de hoje. Os selecionados terão de 8 a 12 de fevereiro para realizar a matrícula na instituição. O MEC abrirá mais duas etapas para preencher as vagas que não foram ocupadas. A próxima será realizada entre 15 e 20 de fevereiro.

A partir de agora, o Enem também vai servir como certificação do ensino médio para estudantes com mais de 18 anos, substituindo o antigo Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja). Na tarde de ontem, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgou a indicação de 400 pontos como nota mínima para se obter o certificado. O valor é equivalente à antiga nota de corte utilizada no Encceja, que era 100.

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