quinta-feira, 24 de junho de 2010

Homem contrai dívidas para estudar doença do filho, mas Justiça evita despejo em Curitiba


Uma decisão inédita da Justiça reverteu verba do fundo pecuniário – dinheiro recolhido de condenações judiciais – para quitar a casa de um pai que abandonou o emprego para pesquisar a doença rara e incurável do filho. Ele seria despejado por falta de pagamento.

A história – que lembra a do filme "Óleo de Lorenzo" (George Miller, 1982) – aconteceu em Curitiba (PR). O engenheiro mecânico Adolfo Celso Guidi, 52, deixou o cargo de gerente de uma concessionária em 2000, ao descobrir que o filho Vitor Giovani Thomaz Guidi, à época com dez anos, tinha gangliosidose GN1 tipo 2.

"A doença começou a se manifestar quando ele tinha quatro anos. Nenhum médico no Brasil conseguiu fazer o diagnóstico. Larguei tudo e fiquei uma semana em Buenos Aires com minha família, onde diagnosticaram a Gangliosidose. Quando eu retornei para o Brasil, um médico me disse que não tinha o que fazer", afirmou Guidi à Folha.

O engenheiro, inconformado com a resposta, começou a estudar a doença na biblioteca da faculdade de medicina da UFPR (Universidade Federal do Paraná). "A gangliosidose impede a reprodução de neurônios, que degeneram. Por meio de um processo homeopático, que funciona como um antídoto de veneno de cobra, a gente fornece essa enzima e o organismo trabalha", explicou o pai, que encontrou a fórmula de um medicamento para o filho em 2001.

Para alcançar esse resultado, Guidi diz que gastou, na época, cerca de US$ 80 mil dólares (cerca de R$ 149 mil atualmente) e deixou de pagar as prestações de sua casa. "Tudo saiu do meu bolso, não pude mais pagar nada e minha casa foi a leilão", afirmou.

O processo da Caixa Econômica Federal, financiadora da casa, contra Guidi teve início na Justiça no dia 30 de março de 2001. Depois de vários recursos, o caso caiu nas mãos – abençoadas, segundo o pai – da juíza federal Anne Karina Costa, 39, da Vara do Sistema Financeiro de Habitação de Curitiba (PR).

"O caso já estava tramitando em julgado e íamos fazer a liquidação, de acordo com a decisão judicial. Caso ele não pagasse o valor acordado, ele teria que sair do imóvel. Então, durante uma audiência de conciliação, após a representante da Caixa propor um acordo, ele disse que queria explicar o motivo de não ter pago a dívida e contou a história do filho dele. Falei para juntar toda a documentação e iniciar uma campanha para arrecadar dinheiro", afirmou a juíza.

O banco reduziu a dívida de Guidi de R$ 119.500 para R$ 48.500. Mesmo assim, ele não tinha possibilidade de pagar. "A única renda que eu tenho, vem do trabalho que faço quando dá tempo, na oficina mecânica que eu montei na minha casa", disse o engenheiro.

Mãe de três filhos, sensibilizada com a história de Guidi, Anne – que já foi juíza da Vara Criminal – lembrou do fundo que a Justiça mantém com as penas pecuniárias. "Fiz uma solicitação para a juíza da 1ª Vara Criminal, Sandra Regina Soares, que é responsável pelo fundo, e para o Ministério Público Federal. O dinheiro arrecadado com as penas vão para entidades assistenciais, eu tive a ideia de inscrever Guidi como um projeto", afirmou a juíza.

Decisão inédita

Uma decisão inédita da Justiça reverteu verba do fundo pecuniário – dinheiro recolhido de condenações judiciais – para quitar a casa de um pai que abandonou o emprego para pesquisar a doença rara e incurável do filho. Ele seria despejado por falta de pagamento.

A história – que lembra a do filme "Óleo de Lorenzo" (George Miller, 1982) – aconteceu em Curitiba (PR). O engenheiro mecânico Adolfo Celso Guidi, 52, deixou o cargo de gerente de uma concessionária em 2000, ao descobrir que o filho Vitor Giovani Thomaz Guidi, à época com dez anos, tinha gangliosidose GN1 tipo 2.

"A doença começou a se manifestar quando ele tinha quatro anos. Nenhum médico no Brasil conseguiu fazer o diagnóstico. Larguei tudo e fiquei uma semana em Buenos Aires com minha família, onde diagnosticaram a Gangliosidose. Quando eu retornei para o Brasil, um médico me disse que não tinha o que fazer", afirmou Guidi à Folha.

O engenheiro, inconformado com a resposta, começou a estudar a doença na biblioteca da faculdade de medicina da UFPR (Universidade Federal do Paraná). "A gangliosidose impede a reprodução de neurônios, que degeneram. Por meio de um processo homeopático, que funciona como um antídoto de veneno de cobra, a gente fornece essa enzima e o organismo trabalha", explicou o pai, que encontrou a fórmula de um medicamento para o filho em 2001.

Para alcançar esse resultado, Guidi diz que gastou, na época, cerca de US$ 80 mil dólares (cerca de R$ 149 mil atualmente) e deixou de pagar as prestações de sua casa. "Tudo saiu do meu bolso, não pude mais pagar nada e minha casa foi a leilão", afirmou.

O processo da Caixa Econômica Federal, financiadora da casa, contra Guidi teve início na Justiça no dia 30 de março de 2001. Depois de vários recursos, o caso caiu nas mãos – abençoadas, segundo o pai – da juíza federal Anne Karina Costa, 39, da Vara do Sistema Financeiro de Habitação de Curitiba (PR).

"O caso já estava tramitando em julgado e íamos fazer a liquidação, de acordo com a decisão judicial. Caso ele não pagasse o valor acordado, ele teria que sair do imóvel. Então, durante uma audiência de conciliação, após a representante da Caixa propor um acordo, ele disse que queria explicar o motivo de não ter pago a dívida e contou a história do filho dele. Falei para juntar toda a documentação e iniciar uma campanha para arrecadar dinheiro", afirmou a juíza.

O banco reduziu a dívida de Guidi de R$ 119.500 para R$ 48.500. Mesmo assim, ele não tinha possibilidade de pagar. "A única renda que eu tenho, vem do trabalho que faço quando dá tempo, na oficina mecânica que eu montei na minha casa", disse o engenheiro.

Mãe de três filhos, sensibilizada com a história de Guidi, Anne – que já foi juíza da Vara Criminal – lembrou do fundo que a Justiça mantém com as penas pecuniárias. "Fiz uma solicitação para a juíza da 1ª Vara Criminal, Sandra Regina Soares, que é responsável pelo fundo, e para o Ministério Público Federal. O dinheiro arrecadado com as penas vão para entidades assistenciais, eu tive a ideia de inscrever Guidi como um projeto", afirmou a juíza.

Decisão inédita

Em uma decisão, que pelo conhecimento de Anne é inédita no Brasil, o Ministério Público e a Vara Criminal autorizaram que o fundo fosse utilizado para o pagamento da dívida de Guidi com a Caixa. A audiência final foi no dia 13 de novembro de 2009. "O que eu fiz foi algo que estava dentro da minha possibilidade. Eu me coloquei no lugar dele e ele optou pelo filho. Não teria como exigir dele outra atitude. Além disso, se retirássemos a casa, acabaríamos também com a única fonte de renda dele", disse a juíza.

Maria Teresa Maffia, 51, conciliadora da Caixa que atuou no caso, também diz que nunca ouviu falar de uma decisão como essa. "A Caixa é uma instituição financeira e nós fizemos tudo o que poderia ser feito, de acordo com o contrato dele. Na última audiência, todos nós ficamos muito emocionados. Nós não sabíamos dessa possibilidade de encaminhar o caso de uma pessoa física como um projeto", disse.

A juíza diz esperar que a decisão se repita e sensibilize as instituições financeiras. "Foi uma decisão judicial que abre precedentes para outros casos. Espero que as instituições, um dia, possam perdoar a dívida em casos excepcionais como esse".

Guidi cuida do filho sozinho, há três anos ele se separou da mulher. "Ela ficou mais doente que meu filho e eu não percebi. Até hoje ela não saiu da depressão. Se eu pudesse voltar atrás, teria agido de outra forma, mas, na época minha decisão era salvar a vida do meu filho e eu tinha muito trabalho", afirmou Guidi.

Hoje, o engenheiro auxilia duas outras crianças que têm a mesma doença do Vitor, 21. "Com a enzima produzida na farmácia de manipulação e com a alimentação que eu pesquisei e preparo para meu filho todos os dias, ele está muito melhor. Ele não tem mais dificuldades de engolir e a musculatura não é mais contraída como antes".

Vitor só caminha com auxílio, por isso usa uma cadeira de rodas. Ele frequenta a escola de educação especial 29 de Março, onde Guidi é tesoureiro e voluntário.

Para Guidi, sua história é uma "grande obra de Deus". "Eu sempre soube que não ia perder minha casa. Foi Deus quem colocou a juíza Anne e a Teresa da Caixa na minha vida. Se eu fosse para a rua, ninguém cuidaria do meu filho".

(*) Acompanhe diariamente os principais conteúdos jurídicos em http://www.twitter.com/editoramagister
Fonte: Folha OnLine

6 comentários:

@rogeriathompson disse...

Q decisão linda da juíza.Ela realmente foi iluminada e se colocou no lugar do pai,é isso q precisamos fazer todos os dias.Obrigada por compartilhar conosco,casos assim não se vê no noticiário,pois não terminou em tragédia...

vianealves@yahoo.com.br disse...

Desculpa, a reportagem foi exibida hoje, dia 29/06.

Anônimo disse...

Ola Tânia...
Sou Sõnia Mariza,moro em São Bernardo do Campo,faço Enfermagem...
Trabalho cuidando de um a senhora portador ade um a doença rara Demência Semântica...os medicos diz nao ter cura...
Gostaria,que se possivel,me passasse pelomenos o Telefone do Sr Adolf,para que juntamente com a familia dessa senhora,entrassemos em contato com ele para poder ver se as doenças possuem algo em comum,e se o medicamento que ele usa no seu filho,pode ser compativel para a doença de Claudia...
Te peço por gentileza,que entre em contato comigo
meu e-mail é sonia_maryza@hotmail.com
desde ja fico grata.

lacerdaphd disse...

Prezada sra,

Li seu artigo via internet de Paris onde resido apos me aposentar em 2001 no Brasil, ref.ao caso em tela, e sugiro como autor de dezenas de obras em Homeopatia, que o pai deste jovem apos desenolver formula homeopatica inédita para tratamento de seu filho, use caso deseje como complemento terapeutico válido e sério, ao dificil caso clinico os fantásticos medicamentos da Homotoxicologia (Medicina Biologica)terapia médica alemã, da qual sou introdutor no Brasil desde inicio da década de 90 do séc.20.(vide minha obra: VADEMECUM DE MEDICINA HOMEOPATICA, BIOMOLECULAR E HOMOTOXICOLOGIA.ED.MEDSI.RJ.1998(630 pags)
Autor:Paulo de Lacerda,PhD
Informo ademais que o Lab.Heel produtor mundial exclusivo de tais medicamentos biologicos ja esta instalado legalmente em São Paulo,no Brasil (vide site www.heel.com.br).
Boa sorte a esta familia e seu valoroso pai, que Deus o abençoe.
Att,
Prof.Paulo de Lacerda,PhD
PARIS, le 6 août 2010.

Anônimo disse...

Boa Noite!!!Venho por meio deste, dizer que admiro seu trabalho...Parabéns!
Tania:
Meu irmão é doente: dependente químico...ele tem uma filha e não consegue pagar a pensão da mesma que foi estipulada, pois tal dependência, está em alto grau.E agora, graças a Deus, o mesmo, resolveu, aceitou a se tratar...Devido o não pagamento da pensão ele está preste a ser preso... nós não temos condições de pagar...Portanto, o que faço? Como devo agir diante da justiça...há uma lei que ampara? Existe um modelo de um processo neste caso? Entre ficar preso e se tratar, é melhor se tratar...pois preso, não irá ajudá-lo em nada, pois nosso sistema penitenciário não educa e nem recupera muitas vezes ninguém...me ajude...abraço!
valdivitorino@hotmail.com

Anônimo disse...

Parabens pela atitude! Gostaria de comprar o livro do sr Adolfo, mae cuida de mim. Nao acho para vender na internet. Se a senhora souber,onde posso comprar, por favor poste ak em seu blog. Obrigada!