segunda-feira, 11 de julho de 2011

Muita iniciativa e pouca acabativa

Por Prof. Luiz Marins

Por que somos tão criativos, inovadores, cheios de idéias e tão ruins em execução? Por que a rotina de cuidar dos detalhes, fazer a manutenção do que já existe, dar continuidade às coisas começadas, nos deixa tão entediados?

Sentimos um grande prazer em dar idéias novas e planejar e um enorme tédio em fazer, cuidar das coisas do hoje, do aqui e do agora. Estamos sempre olhando para o futuro e parece nos esquecermos de que o amanhã depende do hoje. Com o descaso pelo hoje, pelo detalhe, pela cuidadosa execução e manutenção do que existe, nunca construiremos o amanhã e seremos sempre o “País do futuro”.

Achamos que executar é uma coisa subalterna, para pessoas sem muita inteligência, puros obreiros. O bonito é criar, inovar, propor, discutir. Depois, nada acontece. As coisas simplesmente não são feitas, não têm continuidade, não têm manutenção, não vingam. Faltam pessoas dispostas a cuidar da rotina, do manter, do fazer todos os dias com dedicação e perseverança.

Nas empresas, vejo pessoas discutindo planos, projetos e idéias maravilhosas. Mas ninguém atende o cliente que está esperando ao telefone. Ninguém conserta o banheiro quebrado. Ninguém responde ao fornecedor que está precisando de melhores especificações para poder entregar o pedido da próxima semana. Ninguém faz a manutenção correta das máquinas que estão em uso há anos e ameaçam parar.

Daí, quando as coisas dão errado e o problema se torna insustentável, todos parecem tomar um susto. Comportam-se como se não soubessem que o problema iria ocorrer, mais cedo ou mais tarde. Fingem não saber que as coisas só acontecem, de fato, quando alguém arregaça as mangas e faz acontecer, cuida dos detalhes, enfim, executa. Vejo também que essas pessoas que fazem e querem que as coisas sejam feitas, mantidas, concluídas são, muitas vezes, taxadas de intolerantes, exigentes demais, detalhistas, chatas.

Minha sugestão é que você, em suas atividades pessoais e empresariais, comece a valorizar as pessoas que executam, que cuidam da manutenção do que existe, que dão atenção aos detalhes, que atendem bem os clientes, que começam e terminam suas tarefas dentro do prazo, enfim, os que fazem o dia-a-dia acontecer com qualidade. Valorize, enfim, aquelas que antes de pensar grande, fazem grande, fazem certo, fazem agora. As que além de criatividade e iniciativa, têm “acabativa”.

Pense nisso. Sucesso!

O Prof. Luiz Marins é antropólogo e foi eleito “Palestrante do Ano de 2006 – 9º Top of Mind”.

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