segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Nossas mães africanas

Uma singela homenagem às mães negras do nosso País. Em 20 de Novembro comemora-se o dia de Zumbi de Palmares e eu nada postei sobre o assunto, mas como disse meu amigo Pedro Reis de Oliveira, presidente do Conselho Estadual da Promoção da Igualdade Racial de Mato Grosso, os eventos alusivos a referida data só terminam no dia 10/12. Então, no prazo! Aí vai: 


Eis aqui a escrava do Senhor, cumpra-se em mim segundo a sua
palavra.
Esta é a forma com a qual Maria, a mãe de Jesus, responde ao
mensageiro celeste que lhe vem anunciar a concepção da criança.
Estranho se posicionar como escrava quem foi escolhida para ser a
excelsa mãe de Jesus. Basta uma pequena reflexão, no entanto, para
verificarmos como a expressão está adequada.
Recordamos de tantas escravas, ao longo da História, que se
transformaram em auxiliares indispensáveis dos seus senhores.
Escravas cujos nomes acabaram associados aos seus próprios senhores.
No Brasil, lembramos das escravas africanas que serviram ao homem
branco. Muitas delas não somente carregaram o sinhozinho nos
braços mas o alimentaram com o próprio seio.
Tornaram-se suas segundas mães, acompanhando-os mesmo depois de
crescidos, na formação do novo lar, a atender-lhes os filhos, como
uma avó.
Avó de cor. Avó de amor.
Amas de leite que, por vezes, tinham seu próprio rebento afastado
dos braços, a fim de que sobrasse mais alimento dos seus seios para
o filho branco.
E, por não terem o seu bebê nos braços, por terem a saudade a lhes
magoar a alma, por sentirem falta do seu filhinho, drasticamente
afastado de seu carinho, dedicavam-se ao filho da alheia carne.
O filho do sinhô, o filho da sinhá.
Quem poderá esquecer como essas mães alimentaram, não somente o
corpo, mas a imaginação e a mente das crianças sob sua guarda?
Quantas histórias das suas longínquas terras, das tradições de
sua gente povoaram as noites daqueles meninos e meninas atentos, ao
redor do fogo, no terreiro...
Ou no aconchego da casa grande, ao pé do fogão.
Quantos mingaus, cozidos, temperos foram acrescentados ao cardápio
diário.
Aprendendo a língua de quem as tinha sob seus serviços,
introduziram palavras diferentes no vocabulário dos pequenos.
E para os acalmar, nas noites de medo, elas cantavam as melodias com
que foram elas próprias acalentadas em sua infância.
E, enquanto a saudade as consumia intimamente, também lembravam em
versos das riquezas de sua terra natal, de melodias, de danças, de
cantorias.
Recordavam dos dias de alegria, quando a liberdade lhes sorria e o
futuro era sonhado, nas tardes quentes e nas noites mornas.
Escravas mães. Mães escravas.
Benditas sejam por todos os cuidados dispensados ao homem branco, por
sua capacidade de amar o filho alheio.
Benditas sejam por sua grandeza, por sua dedicação, pela
contribuição à cultura do povo que as escravizou.
Que nunca esqueçamos o quanto devemos a essas criaturas pois se a
escravidão as mantinha presas a tarefas determinadas, foi de forma
voluntária que entregaram em holocausto ao amor o próprio
coração.

Fonte: Redação do Momento Espírita. 30.11.2011.

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