sábado, 16 de maio de 2015

Várzea Grande, 148 anos de história


Várzea Grande foi considerada a cidade mais violenta do Estado no ano passado e diante dessa constatação uma parcela dos moradores reagiu.

Um grupo de empresários se reuniu, organizou uma passeata, redigiu um manifesto e mediante a exigência de “Tribuna Livre”na Câmara Municipal,o microfone foi aberto e o líder do movimento leu e entregou ao presidente uma pauta de reivindicações no dia 12 de Novembro.

No começo deste ano um outro movimento organizado pela Polícia Militar, Conselhos de Segurança e Igrejas recolheu assinaturas de cidadãos várzea-grandenses para apoiar a edição de uma lei que regulamente a concessão de alvará para funcionamento de bares e restaurantes no Município. Quase 10 mil assinaturas foram apostas num abaixo assinado que foi entregue à Câmara Municipal.

Mais recentemente a Associação de Primeiras Damas, Conselho Estadual dos Direitos da Mulher e a Defensoria Pública começaram um movimento para criar uma lei que institua na grade curricular das escolas públicas do município a abordagem dos assuntos Direitos Humanos, Equidade de Gêneros, de Raça e Etnia, e Violência Doméstica.

Presidida pelo vereador Ivan dos Santos,uma audiência pública foi realizada na data de 24 de abrilpara debater o tema. Diversas instituições participaram e na ocasião constatou-se que a competência para disciplinar a matéria seria do Executivo. Assim, uma indicação foi feita ao chefe do respectivo poder.

Qual a importância desses movimentos?Todos visam a pacificação na cidade.

Para diminuir os números da violência é importante que se mude a cultura. Vivemos numa sociedade patriarcal, onde o padrão de relações interpessoais é de domínio do “mais forte” sobre o “mais fraco”, do rico sobre o pobre, do branco sobre o negro e o índio, do nacional sobre o estrangeiro, do homem sobre a mulher, pois, herdamos isso da nossa colonização.

A sociedade precisa aprender a desenvolver relações de igualdade porque todos somos iguais.“Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda” ensina Paulo Freire.

Desses assuntos as escolas municipais já tratam de forma pontual: em dias comemorativos como o 8 de março, 19 de abril, 13 de maio, 10 de dezembro, mas o movimento busca que a temática seja discutida continuamente para tentar interromper o pensamento de que “alguns são melhores que os outros”.

A opressão, o domínio e a submissão de povos faz parte da história da humanidade: os judeus foram escravizados pelos romanos e achavam que o Messias viria para libertá-los, porque se entendiam “escolhidos”. Esperavam que o grande Mestre expulsasse todos os estrangeiros e reconquistasse seu país, fazendo o resto do mundo escravo. Como o Autor da regra de ouro: “Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois esta é a Lei e os Profetas", agiria da forma esperada pelos judeus?

Os líderes dos movimentos aguardam da Câmara Municipal respostas às reivindicações e ao abaixo assinado, e da chefe do executivo a resposta da indicação. Que os dois poderes possam presentear Várzea Grande cumprindo com os seus papéis.

Tânia Regina de Matos é Defensora Pública do Estado, em Várzea Grande

Um comentário:

Luma Rosa disse...

Oi, Tânia!
Que ótimas reflexões traz seu texto.
Como grande observadora, percebo que a figura do oprimido e opressor só se desfaz com a independência, seja financieira ou emocioanl. Não à toa muitas mulheres no Brasil são chefes de família. Não posso afirmar que os homens não acompanharam a evolução dos tempos, mas muitos por se sentirem os provedores, se sentem no direito de coagir a parte fraca da relação, seja a mulher ou mesmo os filhos.
É bacana os eventos nas escolas, no sentido da formação do ser e para investimentos futuros. O pensamento crítico se consolida quando ele chega em casa e vê o erro familiar. Desse conflito, a pessoa pode se resignar, se revoltar ou tentar mudar o que está imposto.
Diante dos fatos violentos que envolvem a família, a bebida alcoolica está sempre presente. Coibir a venda para menores e restringir os horários dos estabelecimentos que vendem essa droga ajuda bastante, mas é dentro do núcleo familiar que tudo acontece.
Beijus,