terça-feira, 24 de julho de 2007

Cinco sentidos

Esta eu escrevi em 1988, mas só agora estou mostrando porque recebi um comentário de um lusitano indagando sobre o mato de Mato Grosso, acabei associando com estes versos:

No ápice da estrada inclinada,
entre altos e baixos,
rios e riachos,

vejo Chapada.

Oitenta quilômetros por hora,
seguindo a sincronia das curvas

encontro a primeira cachoeira.

Vejo águas que outrora não eram turvas,

vejo verde que outrora não era mato.

O povo está perdendo o tato,

talvez o olfato.


Teto azulado e piso esverdeado.

Sólido paredão.

Me perguntam aonde?

Perderam também a visão.

Já não escutam mais os pássaros,

faltam-lhes a audição.

O que lhes restam é a gustação,

comem e bebem sem se preocuparem

com o feito que provocam: a poluição.


Em meio a tantos pedidos de preservação,

belos apelos,

leis, artigos e incisos...

Há quem leve tudo isso em consideração?

Se há, porque tanta depredação?

Do Oiapoque ao Chuí,

existe muitos impactos ambientais,

mas foram criados em todo o País

parques Nacionais.

Onde está garantia de quem é dono?

Foi esquecida pelo abandono?



Que fim levará as próximas gerações?

Caso continue o abuso frenético

do patrimônio genético...

restarão as recordações:

fotos, livros e canções.

2 comentários:

Maria Fernanda disse...

Olá dona sumida do meu blog e dos meus comentários.
Sobre sua postagem adorei, não conhecia esse seu lado poetico.
Parabéns!!!!

Tânia Defensora disse...

Obrigada Fernandinha!