quinta-feira, 13 de março de 2008

A mulher genial que perdeu a vida em nome da ciência

Marcelo Glaiser - Fantástico

Na tentativa de entender do que são feitas as coisas do mundo, um dia, um cientista fez uma descoberta incrível. Dessa descoberta nasceu simplesmente. A televisão. Quem conta essa história é o físico Marcelo Gleiser.

No fim do século 19, a grande pergunta parecia respondida: No mundo, tudo que existe é feito de átomo. De tão pequenos, eles são invisíveis a olho nu.

Quem deu essa resposta foi um cientista inglês chamado Dalton. Dalton tinha uma doença nos olhos que, anos depois, foi batizada em sua homenagem: o Daltonismo, que é a dificuldade para enxergar certas cores.

Mas a história da ciência mostra que respostas sempre levam a outras perguntas. Logo, a descoberta de Dalton abriu caminho para novas revelações.

Em 1897, outro cientista inglês fez uma experiência que demonstrou: tudo que existe no mundo é mesmo feito de átomos. Mas esses átomos não são indivisíveis. Existem pedacinhos de matéria ainda menores, muito menores.

A experiência foi revolucionária: não só ela mostrou que a ciência estava longe de desvendar o enigma da matéria, como também abriu caminho para uma tecnologia que faz parte das nossas vidas até hoje: a televisão.

O cientista se chamava J. J. Thomson. Nascido e formado na mesma cidade onde Dalton viveu: Manchester, no norte da Inglaterra. T

Thomson pegou um tubo de vidro, pintou a parte de dentro com tinta fosforescente, ajeitou aqui e ali, e ligou a engenhoca na eletricidade. Ao ser acionado, o tubo produziu uma radiação, um feixe que corria de um lado ao outro do tubo, produzindo uma luz brilhante ao se chocar com o vidro. Analisando com muita precisão os resultados, Thomson concluiu: a luz brilhante vinha de partículas mínimas, muito menores e mais leves que o menor dos átomos.

Mais tarde, essa partícula recebeu o nome de elétron. E Thomson demonstrou que ele era parte de todos os átomos.

O elétron: a partícula responsável pela eletricidade que move a sociedade moderna. O elétron abriu caminho para as maravilhas da eletrônica. Uma partícula que provocou uma revolução.

Tudo o que se vê na tela de uma televisão com tubo de imagem é, na verdade, uma grande dança de elétrons. Olhando bem de perto, repare como a tela é feita de vários pontinhos. Cada um desses pontinhos é um canal por onde correm elétrons que formam as imagens.

Em apenas 20 anos, de 1895 e 1915, descobertas surpreendentes revolucionaram o nosso conhecimento dos átomos.

Um cientista francês chamado Henri Becquerel queria entender por que alguns minerais brilhavam espontaneamente. Esses minerais pareciam ter uma fonte de energia invisível e inesgotável. Mas como era possível minerais brilharem no escuro?

Quem deu a resposta foi o casal mais famoso da história da ciência: Pierre e Marie Curie. Marie Curie foi a maior cientista mulher de todos os tempos.

Nascida na Polônia, seu nome de solteira era Maria Slodowska. Desde pequena ela mostrou muito talento e inteligência. Mas, por pouco, não pôde seguir carreira. A pequena Maria era uma aluna exemplar. Primeira da turma, terminou a escola com apenas 15 anos. Mas ela não pôde entrar na universidade, porque era mulher.

Maria então resolveu trabalhar como governanta, e começou a guardar dinheiro. Quando conseguiu o suficiente, comprou uma passagem e se mandou de Varsóvia para Paris. Foi estudar.

A capital francesa já era conhecida na época como cidade-luz, graças ao brilho das idéias de seus pensadores. Maria estava em casa.

Ela se matriculou na mais famosa das universidades parisienses, a Sorbonne, e estudou física, química e matemática. Foi uma aluna brilhante, a primeira da turma.

Lá, ela conheceu um professor, Pierre Curie, com quem se casou. E foi assim que Maria Slodowska virou Marie Curie. Marie Curie foi aluna de Becquerel, aquele cientista que estava intrigado com os minerais que brilham no escuro. Primeira mulher a receber o título de doutora na França, ela pôs mãos à obra junto com o marido para desvendar esse mistério.

Foi em um pequeno laboratório que Marie Curie e seu marido Pierre começaram a entrar para a história da ciência. Lá, eles descobriram por que alguns minerais brilham no escuro. Era porque continham elementos que emitiam uma espécie de radiação, chamada por eles de radioatividade. Um desses elementos era tão radioativo que recebeu o nome de rádio. O outro foi batizado de polônio, em homenagem à terra natal de Marie Curie.

Pelas descobertas, o casal Curie dividiu o Prêmio Nobel de física com Henri Becquerel. A parceria deles foi muito bem-sucedida, mas durou pouco. Em 1906, Pierre foi atropelado por uma carruagem em uma ponte em Paris.

Marie seguiu seu caminho e continuou produzindo intensamente. Poucos cientistas na história foram tão brilhantes quanto Marie Curie. Não só ela foi a primeira mulher a ganhar um Prêmio Nobel, como também é, até hoje, a única pessoa a ter sido premiada em duas ciências diferentes: física e química.

Mas, sem saber, ela acabou pagando um preço muito alto pelas descobertas que fez. Ninguém sabia disso na época, mas a radiação faz muito mal para a saúde. Nem sempre ela é visível. Em 1934, Marie Curie morreu de câncer, provocado pela exposição aos materiais que tanto estudou.

Fonte: http://fantastico.globo.com/Jornalismo/Fantastico/0,,9547,00.html

4 comentários:

Osc@r Luiz disse...

Maria Curie está no meu post de 9 de março junto com outras mulheres fantásticas.

Scliar disse...

Lindo resgate da historia de Marie Curie. Otimo exemplo para estimularmos mais e mais mulheres na curiosidade cientifica, tantas vezes bloqueada nas escolas, com seus preconceitos rançosos de machismo. Lembrei de um outro nome bancana: Hipacia, que foi uma grande matematica e astronoma, em Alexandria, la por volta do ano 370.
Adorei a explicação sobre o televisor. So fiquei com uma dúvida: tem que chegar bem pertinho para ver os pontinhos? No meu, só tem chuvisco, de perto, no meio e de longe! É tanto chuvisco, que vou comprar até um guarda-chuva. Bzus mil.

Tânia Defensora disse...

Oi Oscar!
Vou olhar com calma.
Abraços

Oi Scliar!
Foi o Oscar quem me enviou a história de Marie Curie, eu não conhecia.
Beijos

Anônimo disse...

oi Tania sou o Marcos de Pelotas, achei seu blog por acaso mas foi gratificante, obrigado.
gostaria de deixar um comentário a respeito de Marrie Curie em relação a nós espíritas ela e o marido atestaram e comprovaram a existência de uma médium de efeitos físicos de nome Eusápia Paladino com testes e pesquisas a respeito dela foi muito legal a pesquisa, obrigado.
sherekfaixapreta@hotmail.com