sábado, 3 de março de 2012

Obsessão contemporânea


 Li o artigo abaixo e gostei muito. 
Sou apreciadora de uma boa mesa e acho que comer é um dos melhores prazeres que existem no mundo! 
Já ouviram dizer que a arte alimenta a alma? Se for verdade, quero me fartar da culinária que além de nutrir a minha parte imaterial vai me encher de prazer!
E como estou em processo de evolução, sempre aprendendo, não me privavria de saborear um prato apetitoso e bem preparado só por causa de algumas calorias a mais.

A dependência de exercícios físicos é conhecida como
vigorexia (overtraining, em inglês), um transtorno no
qual as pessoas praticam exercícios de maneira contínua e
sem controle, quase como um fanatismo, com o intuito de obter o
corpo perfeito e sem se importarem com eventuais
consequências e/ou contra indicações médicas. Também
denominado Síndrome de Adônis, o termo denota uma
prevalência de homens acometidos por esta doença, mais
ainda do que as mulheres.
Pouco conhecida, a vigorexia deve ser tratada como uma
patologia, uma doença de ordem obsessivo-compulsiva tanto pela
obsessão com a musculatura para obter um corpo delineado e
definido, como pela ingestão deliberada e perigosa de substâncias que
aumentam a massa muscular revelando uma distorção da imagem
corporal. Neste sentido, mesmo não possuindo uma tipificação
específica, este transtorno pode ser considerado uma espécie de
Dismorfia Corporal também conhecida como Dismorfia Muscular. O
quadro mais abrangente é classificado como
Transtorno Dismórfico Corporal e possui como
características clínicas preocupações com defeitos
faciais e em outras partes do corpo, aspectos
estéticos e de aparência.
Não é por acaso que a anorexia está atrelada à
vigorexia, pois ambas possuem como denominador
comum esta percepção errônea do próprio corpo.
Enquanto os anoréxicos nunca se acham
suficientemente magros, os vigoréxicos não se
acham suficientemente musculosos. São
consideradas doenças narcísicas, ou seja, uma
supervalorização do corpo e da beleza, cuja
idealização e expectativa denunciam um padrão
imposto por uma sociedade fantasiosa e exigente.
Pessoas são influenciadas por modelos culturais atuais,
esportistas que querem obsessivamente chegar a ser melhores e uma
avalanche de informações vinda das grandes mídias reforçam esta
necessidade desenfreada de atingir o apogeu e a longevidade do
corpo. Vive-se a era da aceitação mútua através do majestoso. Bíceps
enormes, peitoral definido, panturrilhas grossas, cintura fina e
bumbum redondinho. Qualquer outra forma de estética que não esteja
em acordo com estes padrões de beleza são sumariamente descartados
e ignorados. Caso ainda não se obtenha o resultado desejado,
inúmeras cirurgias de silicone satisfazem este ideal e, diga-se de
passagem, sou a favor da cirurgia plástica e das próteses de silicone,
desde que não comprometam a saúde da pessoa.
As pessoas que frequentam academias não são vigoréxicas, mas
o abuso é sinal de um comportamento obsessivo. O agravante maior à
vigorexia acontece quando surge o consumo de esteroides e
anabolizantes, realidade de algumas academias e recomendações
irresponsáveis de alguns instrutores.
Associado à vigorexia e a anorexia, temos a ortorexia como outra
patologia cultural contemporânea que relaciona-se com os transtornos
alimentares. Consiste num exagero de dietas. É um quadro em que
existe uma preocupação exagerada com hábitos alimentares, no qual
as pessoas restringem-se a consumirem refeições nutritivas. A
semelhança com a vigorexia é justamente a obsessão, cujo desejo
torna-se tirânico quanto a um ideal a ser seguido.  A pesssoa cometida
pela ortorexia passa a ter um desagradável comportamento de
convencer as outras pessoas a adotarem a mesma dieta, ocasionando
dificuldades de relacionamento.
Em uma sociedade em que “a imagem vale mais que mil
palavras”, a vigorexia e a ortorexia são patologias contemporâneas,
alicerçadas em idealizações que quando não concretizadas acarretam
instabilidade e diminuição emocional. O imediatismo da beleza,
oculta e, sobretudo, aniquila o que deveria ser o principal referencial
da sociedade: independentemente das transformações e receitas
milagrosas, a essência das pessoas se preserva, sempre.

BRENO ROSOSTOLATO É PROFESSOR DE PSICOLOGIA DA FACULDADE
SANTA MARCELINA.

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