segunda-feira, 28 de outubro de 2013

TRÁFICO DE PESSOAS: MT TEM 3 MODALIDADES

Fonte: a Gazeta (22.10.13)



Mato Grosso está entre os estados fronteiriços do país com os maiores índices de tráfico de pessoas. Pesquisa da Secretaria Nacional de Justiça do Ministério da Jutiça (SNJ/MJ) revela que de 2005 a 2011, 475 pessoas foram traficadas no Brasil. Destas, cerca de 70% foram vítimas de exploração sexual.

Considerado um dos “estados de trânsito”, por ser rota de entrada e saída de aliciadores, Mato Grosso consta em diversas modalidades do tráfico de pessoas, entre elas a do trabalho escravo, exploração sexual e tráfico de crianças e adolescentes para servidão doméstica. 

Realizado por meio de uma parceria entre a SNJ/MJ, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc) e o International Centre for Migration Policy Development (ICMPD), a pesquisa “Diagnóstico Sobre Tráfico de Pessoas nas Áreas de Fronteira no Brasil” apresenta um panorama geral a respeito das atividades ilícitas relacionadas ao tráfico de pessoas no país. 

De acordo com o estudo, há no Brasil 240 rotas de tráfico em 19 estados e no Distrito Federal. Localizadas, geralmente, em cidades próximas a rodovias, portos e aeroportos, estas rotas são caracterizadas por serem pontos de fácil mobilidade e fuga dos aliciadores. 

Membro da Comissão Estadual de Prevenção e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas de Mato Grosso, Arlete de Oliveira explica que a localização geográfica do Estado é um grande facilitador da ação de grupos criminosos. “Além de fazermos parte da região de fronteira do Brasil, também estamos no centro do país, sendo porta de entrada e saída para os demais. Isso faz de Mato Grosso rota de diversas outras modalidades de tráfico, além de pessoas”. 

Arlete, que também é professora do Departamento de Serviço Social da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), conta que o tráfico de pessoas faz parte de um conjunto de atividades que envolve ainda o tráfico de drogas e armas. “No caso das mulheres que são levadas para outros países como escravas sexuais, chegando lá acontece delas serem obrigadas não só a consumir a droga, como também trabalharem para traficantes. E assim, uma modalidade atua em conjunto com a outra”. 

Em Mato Grosso, segundo a pesquisa, as vítimas de exploração sexual são, em sua maioria, adolescentes e mulheres saídas de Cuiabá, Cáceres (225 a oeste da Capital) e municípios menos desenvolvidos da região. Elas têm como destino a região norte do Brasil, em estados como o Pará, de onde são traficadas para países da Europa. “São adolescentes e mulheres atraídas por uma melhor condição de vida. Geralmente elas são oriundas de famílias de baixa renda, com pouca ou nenhuma escolaridade, além de estarem em situação de vulnerabilidade social constante”. Arlete cita os mecanismos que são criados pelos aliciadores e traficantes para que as vítimas não consigam mais retornar à sua cidade. “Todos os direitos dessa pessoa lhe são retirados e ela passa a levar uma vida de escravo. São criadas dívidas em seu nome e, infelizmente, ela não tem como fugir”.

Um comentário:

José María Souza Costa disse...

Olá, boa tarde.

Não te esqueça, o Sol, é reluzente para todos nós.
Por isso, não deixe de ocupar um espaço que é somente seu.
Um abraço.